Política

Cresce pressão por mudança da Câmara

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O assunto não consta da pauta de hoje da Câmara Municipal, mas a discussão em torno da mudança da sede do Poder Legislativo para o prédio da Estação Ferroviária deverá se destacar nas discussoões entre os vereadores de Bauru hoje. A pressão, popular e política, para que o presidente da Casa, Roberval Sakai (PP), reveja sua posição de não mudar a sede cresceu muito nos últimos dias, ao ponto de ele provavelmente receber hoje um pedido para reabrir a discussão. Cerca de 10 parlamentares não concordam com a decisão, pois haviam decidido pela mudança há cerca de um ano e meio.

Ontem, por exemplo, em conversa informal com o JC, o vereador Fernando Mantovani (PSDB) comentou que é preciso pensar em uma Câmara que tenha espaço suficiente para que a população participe mais ativa e confortavelmente das discussões e homenagens do Legislativo bauruense, sem ficar espremida em corredores, galerias e até nas escadas, como ocorre atualmente.

A questão ganhou novos contornos após Sakai ter anunciado a desistência em levar a Câmara para a estação. O anúncio foi feito por ele em matéria no Jornal da Cidade, no último dia 21.

Na sessão do dia 23, os vereadores favoráveis à mudança mostraram grande descontentamento com a decisão da Mesa Diretora e ainda criticaram o fato de terem sido informados do recuo por meio da imprensa. Dos 16 vereadores de Bauru, 14 haviam votado a favor da transferência da sede da Câmara para a Estação Ferroviária.

O prédio foi comprado pelo município em 2009 por pouco mais de R$ 6 milhões, sendo que R$ 3,5 milhões foram obtidos por meio da devolução do orçamento anual da Câmara. A proposta era o Legislativo se mudar para lá após o prédio ser reformado.

Além de oferecer mais espaço para os vereadores e também para a participação da população, uma vez que a Câmara atual tem uma galeria acanhada, a ida dos parlamentares para a estação é encarada como uma possibilidade de revitalização da região central da cidade. Além da Caâmara, está prevista a instalação de secretarias municipais no prédio da estação, entre elas as de Educação e Saúde.

Apesar da pressão feita pelos vereadores favoráveis à mudança, o presidente Roberval Sakai mantém seu posicionamento contrário. Segundo ele argumentou ao Jornal da Cidade na semana passada, o motivo da decisão deve-se à demora da prefeitura em definir o projeto da reforma.

Sakai defende a construção de um anexo ao prédio atual da Câmara, na área onde funciona atualmente o estacionamento para vereadores e funcionários. No entanto, vários parlamentares são contra essa proposta por envolver gastos com a ampliação e construção do novo espaço.


Ponto de encontro

Em novembro de 2009, o Jornal da Cidade publicou uma "provocação arquitetônica" de como seria a revitalização do Centro da cidade a partir da ocupação do prédio da Estação Ferroviária por secretarias municipais e pela Câmara Municipal.

Na ocasião, o arquiteto Fernando Gallo projetou um boulevard unindo Praça Rui Barbosa, Calçadão da Batista, Praça Machado de Mello e Estação Ferroviária. Da maneira como foi planejada, a revitalização da Praça Machado de Mello teria como principal objetivo devolver a vida não somente à estação, considerada o berço da cidade, mas para toda a região central que, no passado, foi o eixo comercial do município.

A mudança da sede da Câmara Municipal para as dependências da estação é vista como fundamental para a revitalização porque ajudaria a aumentar o fluxo de pessoas naquela região e, com isso, atrairia investimentos em novos serviços, como padaria, farmácia, cafés e outros estabelecimentos.

A ideia original é transformar a praça em um lugar onde as pessoas possam se encontrar para conversar e se descontrair, principalmente por ser um local de fácil acesso. Atualmente, o movimento naquela região é intenso durante o dia, mas fica quase deserto após as 18h.

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