Belgrado - O ex-comandante do Exército sérvio-bósnio Ratko Mladic, 69 anos, disse não ter ordenado o massacre de mais de 8 mil muçulmanos em Srebrenica, na Guerra dos Bálcãs, entre os anos de 1992 e 1995, segundo afirmou hoje o seu filho Darko Mladic.
Em julho de 1995, tropas de Mladic tomaram a cidade de Srebrenica e assassinaram cerca 8 mil homens e meninos muçulmanos.
Darko diz que as atrocidades aconteceram sem o conhecimento de seu pai -o que promotores do caso dizem ser impossível, dada a escala do massacre. "As ordens dele foram para retirar (de Srebrenica) os feridos, as mulheres e crianças e depois os combatentes", disse Darko.
O vice-promotor Bruno Vekaric, que investiga os crimes de Mladic, afirmou que o acusado teria dito que todos os sérvios são culpados pelo genocídio de Srebrenica, por terem apoiado o então presidente Slobodan Milosevic. "Eu não votei em Slobodan Milosevic, vocês votaram", teria dito Mladic enquanto aguarda extradição na cadeia, segundo Vekaric.
Mladic foi preso na última quinta-feira após passar 16 anos desaparecido.
A Justiça sérvia deve decidir entre hoje e amanhã se ele será extraditado para Haia e julgado no Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia. A defesa vai apelar.
Ontem, ao menos 7 mil sérvios participaram de protestos e entraram em choque com a polícia em Belgrado para exigir que ele não seja extraditado.
As manifestações foram organizadas pelo Partido Radical Sérvio, de ultradireita.