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Após adiamentos, Dilma visita Uruguai


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Montevidéu - A presidente Dilma Rousseff desembarcará hoje pela primeira vez na Capital uruguaia desde que tomou posse em janeiro passado. A visita será breve - de apenas cinco horas - mas promete ser intensa, já que a presidente brasileira, na reunião com o presidente uruguaio José "Pepe" Mujica, assinará mais de uma dezena de acordos bilaterais. Os dois presidentes, segundo o Itamaraty, "examinarão assuntos da agenda global e regional", além do andamento dos principais projetos da agenda bilateral. A ideia dos dois governos é a de acelerar obras de infraestrutura para "dinamizar" a integração, especialmente entre o norte do Uruguai e o a região meridional do Rio Grande do Sul.

Na sexta-feira, o embaixador brasileiro em Montevidéu, João Carlos de Souza-Gomes, indicou à imprensa que entre os acordos a serem assinados estão a construção de uma segunda ponte sobre o rio Jaguarão, na fronteira entre ambos países, além da interconexão ferroviária entre o Brasil e o Uruguai na cidade de Rivera. Além disso, destacou o início das obras que pretendem estabelecer a interconexão elétrica uruguaio-brasileira.

Souza-Gomes também afirmou que os dois governos planejam reativar a hidrovia da Lagoa Mirim, na fronteira.

A previsão é que a presidente Dilma desembarque hoje às 11h30 na Brigada Aérea Número 1 de Montevidéu. Dali, e vá direto ao Laboratório Tecnológico do Uruguai (Latu), instituição criada em 1965, administrada pelo setor privado e público, dedicado a análises e ensaios. O Latu é o responsável no Uruguai pela adoção da norma de TV digital nipo-brasileira.

Na sequência, ao redor das 12h30 irá ao Palácio Santos, sede da chancelaria uruguaia, em pleno centro comercial de Montevidéu.

Às 14h15, Mujica oferecerá um almoço à presidente Dilma no Palácio Santos.

Ontem, em Montevidéu, circulava uma piada que indicava que Mujica levaria Dilma a almoçar em um dos modestos restaurantes que costuma frequentar quando trabalha no Palácio presidencial, a seis quarteirões dali. Mujica é famoso por sair do palácio, caminhar sozinho até algum boteco ou restaurante da área para almoçar com os amigos.

A presidente Dilma deve partir de Montevidéu às 16h15, rumo à Brasília, onde deve chegar no início da noite.


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Ex-guerrilheiros que viraram presidentes

Montevidéu - A visita de Dilma a Montevidéu também marcará a reunião entre os dois únicos ex-guerrilheiros que chegaram à presidência de seus países na América do Sul por vias democráticas. No entanto, Mujica passou mais tempo na prisão do que Dilma, já que amargou 13 anos de torturas nos cárceres entre 1972 e 1985 (esteve preso durante um ano do governo civil e mais doze durante a ditadura militar).

Mujica padeceu vários anos na solitária, onde sua saúde foi duramente abalada. Nos dias de bom humor dos guardas da prisão, Mujica só podia ir ao banheiro uma vez a cada 24 horas. Mas, somente com um capuz na cabeça que o impedia ver, além de ter as mãos algemadas. Nos dias de má vontade de seus carcereiros, Mujica não podia ir no banheiro. Sem alternativa, as fezes e urina escorriam por suas pernas em sua solitária.

Mujica, apesar do passado de guerrilheiro tupamaro, é considerado pelos economistas como um político pragmático e "market-friendly".

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