Tanto os ambientalistas quanto os supermercados vão gostar muito da campanha (que possivelmente vai virar lei) para extinção das sacolas utilizadas para transportar as compras disponíveis nessas lojas. Acredito que os primeiros estão cobertos de razão quanto ao mau uso dessas sacolas quando utilizadas para embalar lixo. Infelizmente, tudo no Brasil é feito sem se analisar todas as consequências do que se estabelece como lei ou mesmo como norma administrativa (que às vezes adquire, praticamente, o status de uma lei, sem o ser).
Assim, por exemplo, não houve voz discordante quando foi decidido que os antibióticos passavam a medicamentos controlados com exigência de receita. Tenho certeza que nessa decisão não foi ouvido o povo, através dos sindicatos e orgãos de classe. Desta forma, para se conseguir um outro frasco de um colírio, que já estamos usando, somos obrigado a ir a um Posto de Saúde ou pagarmos uma consulta, pois as filas são enormes e desconfortáveis e nem sempre se dispõe de médicos nos atendimentos. Com certeza, os que fizeram o regulamento não necessitam ir aos Postos de Saúde, nem enfrentar filas no SUS. Nada tenho a objetar quanto à necessidade de controlar o uso abusivo e indiscriminado de antibióticos. Acontece que, antes dessa medida ser implantada, seria justo e importante melhorar o acesso da população aos atendimentos médicos dos sistemas de saúde e dos postos.
Agora pretende-se fazer a mesma coisa com o uso das sacolas dos supermercados. Em vez de partir para uma campanha ostensiva através dos meios de comunicação e das escolas para evitar o seu mau uso, já se articula sua proibição pura e simples, com todos os incovenientes de se carregar na mão as compras, mormente quando não se dispõe de carro e se faz a compra a pé. E será que os supermercados irão devolver o custo das sacolas não mais disponibilizadas, abaixando proporcionalmente os preços dos gêneros?
Segundo me informei, o preço unitário de uma sacola retornável ou biodegradável seria da ordem de 19 centavos. Valor baixo para uma unidade, mas se multiplicarmos pelo total de sacolas a serem anualmente utilizadas, um valor nada desprezível.
Clélia Balduino Cruz - dona de casa e mãe de família