Claudinei Calixto Pessutti, pai de Leonardo Calixto Pessutti, atingido pelo zagueiro do Corinthians, Leandro Castán, com um disparo acidental de uma espingarda de pressão anteontem, em Jaú, conforme adiantou o Jornal da Cidade com exclusividade na edição de ontem, isentou o atleta alvinegro de culpa em entrevista ao JC, por telefone.
"O Leonardo e o Leandro são dois grandes amigos, o que aconteceu foi um acidente, tanto que o Leandro estava desolado. Nós somos amigos, as famílias. O Leandro foi criado na casa da gente e o Leonardo lá (na casa de Leandro). Foi simplesmente um acidente. Graças a Deus, meu filho está se recuperando. Continuamos mais amigos do que nunca", declara Claudinei.
O disparo, que atingiu o pulmão de Leonardo e parou próximo ao coração, ocorreu durante uma reunião de amigos realizada na edícula da família de Castán, que passava folga em Jaú, no momento em que o jogador do Corinthians foi passar a espingarda de pressão carregada com chumbinho para o amigo. O próprio zagueiro prestou socorro a Leonardo e o encaminhou para a Santa Casa de Jaú, onde permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Claudinei afirmou ao JC que o corintiano ficou abalado com o acidente, que considerou uma fatalidade. "O Leandro está muito triste, o Leandro é uma pessoa boa. Estou falando como pai da vítima porque sei que o menino é bom, de boa índole. Ele está sofrendo com toda esta situação. Ele é uma pessoa maravilhosa, tanto que ele próprio socorreu e deu toda a assistência ao menino. Agora é recuperar o menino e bola para frente", conclui.
Em entrevista ao Jornal Gente, de Jaú, a mãe de Castán, Edilaine Silva, também explicou que o disparo foi acidental. "Foi um acidente que aconteceu. Na hora de passar a espingarda para o menino teve o disparo. Vi que tinha um furinho e falei para levar ele no hospital. O menino falou que não precisava. Ele estava normal, foi andando", relata. No momento do acidente, Castán e amigos brincavam de atirar em um coletor de chumbo com alvos de patinhos. O pai de Castán, Marcelo Silva, foi ao hospital para saber a a evolução do estado de saúde de Leonardo e informou o filho, que retornou a São Paulo para treinar no Corinthians, sobre a melhora.
Também ao Jornal Gente, Marcelo conta que a vítima treinava com seu filho há alguns anos. "Ele treinava comigo, com o Leandro", lembra. Leonardo também é jogador de futebol e, no momento, treinava em Jaú com um personal trainer e, segundo Claudinei, estava negociando a assinatura de um contrato.
Estado estável
A Santa Casa de Jaú emitiu boletim médico, ontem no início da noite, onde informou que Pessutti recebeu drenagem toráxica e tem estado de saúde estável. "Inclusive extubado no período da tarde e apresentando-se consciente, orientado e em respiração espontânea", descreve o boletim assinado pelo médico João Carlos Miranda Almeida Prado, diretor clínico da Santa Casa jauense.
Prado explicou à Agência Estado que foi necessária a cirurgia para drenagem porque houve vazamento de sangue do pulmão. "O procedimento deu certo porque não precisamos fazer torocotomia (grande corte na altura do peito). Depois disso, ele se recuperou e se estabilizou e assim conseguimos retirá-lo da ventilação", observa o médico. Segundo Prado, o chumbinho não será retirado, embora esteja bem próximo ao coração.
"Por sorte, o projétil não atingiu nenhum órgão no coração, como a aorta, por exemplo. Mas não vamos retirá-lo, pois ele agora não apresenta mais risco à saúde do nosso paciente", comenta à AE. A mãe de Leonardo, Selma Pessutti, expõs ao Jornal da Cidade que o filho apresentou sensível melhora. "Ele está ótimo, melhorou 90%. Ele pode até receber alta da UTI", revela.
?Jamais atiraria em um amigo?, afirma zagueiro no Twitter
De volta a São Paulo para treinar no Corinthians, Leandro Castán demonstrou sua preocupação sobre o estado de saúde do amigo ao longo do dia no Twitter. O corintiano abordou o assunto em três mensagens, revelando que falou com o Leonardo por telefone. "Pessoal, obrigado pelo carinho e a força de todos. A mãe do Léo me colocou no telefone com ele, acabei de falar com ele, ele disse que está se recuperando e que logo sai dessa. Quem me conhece sabe do meu caráter e que jamais atiraria em uma pessoa, ainda mais dentro da minha casa e em um amigo. Foi um acidente que infelizmente aconteceu e logo o Léo está de volta e quem o conhece sabe que esse menino é demais. Força Léo!", escreveu o atleta.
Alívio no clube
Nem poderia ser diferente. O clima entre os jogadores do Corinthians foi de preocupação e expectativa quando o grupo foi informado sobre o incidente com uma espingarda de chumbinho que envolveu o zagueiro Leandro Castán e um amigo, Leonardo Calixto. O ambiente só ficou mais tranquilo quando todos souberam que se tratava de um acidente e que a vítima estava com o quadro estável, embora internada na UTI.
O próprio Leandro Castán tratou de acalmar os companheiros ao contar que havia conversado com Calixto e que o jovem estava bem. Assim que foram notificados do ocorrido, integrantes da comissão técnica corintiana acionaram a diretoria. O departamento jurídico do clube recebeu as informações e ficou de prontidão, à disposição do atleta.
Renan deve acertar
Há pelo menos 15 dias, o Corinthians demonstrou interesse na contratação do goleiro Renan, do Avaí. Porém, somente nesta terça a diretoria alvinegra admitiu que o nome do jovem atleta está na lista encaminhada por Tite. Já seu agente praticamente confirma o acerto. "Só acredito quando a coisa estiver assinada, mas está bem próximo", afirmou Carlos Curcine.
Alessandro
O lateral-direito Alessandro ficará pelo menos 45 dias afastado dos gramados. O jogador passou ontem por exames que detectaram uma contusão muscular na coxa direita. Segundo os médicos do Corinthians, a ruptura do músculo reto femural foi "de moderada a grave", o que motivou o afastamento.
Improvisar Moradei na lateral direita é uma das opções do técnico para suprir a ausência de Alessandro. Outra alternativa é apostar no reserva imediato da posição, Weldinho, que foi contratado recentemente junto ao Paulista, de Jundiaí.
Versões relatam disparo acidental
Castán vai responder por lesão corporal grave. Em caso de condenação, a pena seria de um a cinco anos de reclusão. A Polícia Civil abriu inquérito e já ouviu o jogador e duas testemunhas que estavam no local no momento do disparo. Os três apresentaram a mesma versão: o tiro foi disparado acidentalmente quando Castán entregava a arma, carregada e com pressão, para o amigo atirar.
Delegados do 3.º DP ouvidos pela reportagem da Agência Estado disseram que somente a vítima é que poderá confirmar se o tiro foi mesmo acidental e que a pena para o crime é de um a cinco anos de prisão. A intenção da polícia, segundo eles, é esperar Leonardo se recuperar para ouvi-lo em depoimento e esclarecer até que ponto o jogador do Corinthians pode ser culpado pelo disparo. Segundo os depoimentos, Castán marcou o encontro na edícula onde os amigos iriam saborear uma pizza e o jogador apresentaria a eles o filho, de um ano de idade.
Em entrevista ao Jornal Gente, de Jaú, o delegado de polícia Edmílson Bataier, no Plantão Policial, declarou que tudo indica que o disparo foi acidental. "Eles são amigos, o Leandro veio com a vítima, prestou socorro e se prontificou a ajudar". De acordo com o delegado, a ocorrência foi registrada como "lesão corporal culposa" e o inquérito será conduzido pelo delegado do 3º DP, Wanderley Vendramini. "Em determinado momento, o Leandro foi entregar a espingarda municiada ao Leonardo e, por um problema de acionamento na trava, houve o disparo acidental", explicou Bataier.