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Caso Leandro Castán: Pai de vítima isenta Castán de culpa

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 6 min

Claudinei Calixto Pessutti, pai de Leonardo Calixto Pessutti, atingido pelo zagueiro do Corinthians, Leandro Castán, com um disparo acidental de uma espingarda de pressão anteontem, em Jaú, conforme adiantou o Jornal da Cidade com exclusividade na edição de ontem, isentou o atleta alvinegro de culpa em entrevista ao JC, por telefone.

"O Leonardo e o Leandro são dois grandes amigos, o que aconteceu foi um acidente, tanto que o Leandro estava desolado. Nós somos amigos, as famílias. O Leandro foi criado na casa da gente e o Leonardo lá (na casa de Leandro). Foi simplesmente um acidente. Graças a Deus, meu filho está se recuperando. Continuamos mais amigos do que nunca", declara Claudinei.

O disparo, que atingiu o pulmão de Leonardo e parou próximo ao coração, ocorreu durante uma reunião de amigos realizada na edícula da família de Castán, que passava folga em Jaú, no momento em que o jogador do Corinthians foi passar a espingarda de pressão carregada com chumbinho para o amigo. O próprio zagueiro prestou socorro a Leonardo e o encaminhou para a Santa Casa de Jaú, onde permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Claudinei afirmou ao JC que o corintiano ficou abalado com o acidente, que considerou uma fatalidade. "O Leandro está muito triste, o Leandro é uma pessoa boa. Estou falando como pai da vítima porque sei que o menino é bom, de boa índole. Ele está sofrendo com toda esta situação. Ele é uma pessoa maravilhosa, tanto que ele próprio socorreu e deu toda a assistência ao menino. Agora é recuperar o menino e bola para frente", conclui.

Em entrevista ao Jornal Gente, de Jaú, a mãe de Castán, Edilaine Silva, também explicou que o disparo foi acidental. "Foi um acidente que aconteceu. Na hora de passar a espingarda para o menino teve o disparo. Vi que tinha um furinho e falei para levar ele no hospital. O menino falou que não precisava. Ele estava normal, foi andando", relata. No momento do acidente, Castán e amigos brincavam de atirar em um coletor de chumbo com alvos de patinhos. O pai de Castán, Marcelo Silva, foi ao hospital para saber a a evolução do estado de saúde de Leonardo e informou o filho, que retornou a São Paulo para treinar no Corinthians, sobre a melhora.

Também ao Jornal Gente, Marcelo conta que a vítima treinava com seu filho há alguns anos. "Ele treinava comigo, com o Leandro", lembra. Leonardo também é jogador de futebol e, no momento, treinava em Jaú com um personal trainer e, segundo Claudinei, estava negociando a assinatura de um contrato.

Estado estável


A Santa Casa de Jaú emitiu boletim médico, ontem no início da noite, onde informou que Pessutti recebeu drenagem toráxica e tem estado de saúde estável. "Inclusive extubado no período da tarde e apresentando-se consciente, orientado e em respiração espontânea", descreve o boletim assinado pelo médico João Carlos Miranda Almeida Prado, diretor clínico da Santa Casa jauense.

Prado explicou à Agência Estado que foi necessária a cirurgia para drenagem porque houve vazamento de sangue do pulmão. "O procedimento deu certo porque não precisamos fazer torocotomia (grande corte na altura do peito). Depois disso, ele se recuperou e se estabilizou e assim conseguimos retirá-lo da ventilação", observa o médico. Segundo Prado, o chumbinho não será retirado, embora esteja bem próximo ao coração.

"Por sorte, o projétil não atingiu nenhum órgão no coração, como a aorta, por exemplo. Mas não vamos retirá-lo, pois ele agora não apresenta mais risco à saúde do nosso paciente", comenta à AE. A mãe de Leonardo, Selma Pessutti, expõs ao Jornal da Cidade que o filho apresentou sensível melhora. "Ele está ótimo, melhorou 90%. Ele pode até receber alta da UTI", revela.

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?Jamais atiraria em um amigo?, afirma zagueiro no Twitter

De volta a São Paulo para treinar no Corinthians, Leandro Castán demonstrou sua preocupação sobre o estado de saúde do amigo ao longo do dia no Twitter. O corintiano abordou o assunto em três mensagens, revelando que falou com o Leonardo por telefone. "Pessoal, obrigado pelo carinho e a força de todos. A mãe do Léo me colocou no telefone com ele, acabei de falar com ele, ele disse que está se recuperando e que logo sai dessa. Quem me conhece sabe do meu caráter e que jamais atiraria em uma pessoa, ainda mais dentro da minha casa e em um amigo. Foi um acidente que infelizmente aconteceu e logo o Léo está de volta e quem o conhece sabe que esse menino é demais. Força Léo!", escreveu o atleta.


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Alívio no clube


Nem poderia ser diferente. O clima entre os jogadores do Corinthians foi de preocupação e expectativa quando o grupo foi informado sobre o incidente com uma espingarda de chumbinho que envolveu o zagueiro Leandro Castán e um amigo, Leonardo Calixto. O ambiente só ficou mais tranquilo quando todos souberam que se tratava de um acidente e que a vítima estava com o quadro estável, embora internada na UTI.

O próprio Leandro Castán tratou de acalmar os companheiros ao contar que havia conversado com Calixto e que o jovem estava bem. Assim que foram notificados do ocorrido, integrantes da comissão técnica corintiana acionaram a diretoria. O departamento jurídico do clube recebeu as informações e ficou de prontidão, à disposição do atleta.

Renan deve acertar


Há pelo menos 15 dias, o Corinthians demonstrou interesse na contratação do goleiro Renan, do Avaí. Porém, somente nesta terça a diretoria alvinegra admitiu que o nome do jovem atleta está na lista encaminhada por Tite. Já seu agente praticamente confirma o acerto. "Só acredito quando a coisa estiver assinada, mas está bem próximo", afirmou Carlos Curcine.

Alessandro


O lateral-direito Alessandro ficará pelo menos 45 dias afastado dos gramados. O jogador passou ontem por exames que detectaram uma contusão muscular na coxa direita. Segundo os médicos do Corinthians, a ruptura do músculo reto femural foi "de moderada a grave", o que motivou o afastamento.

Improvisar Moradei na lateral direita é uma das opções do técnico para suprir a ausência de Alessandro. Outra alternativa é apostar no reserva imediato da posição, Weldinho, que foi contratado recentemente junto ao Paulista, de Jundiaí.

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Versões relatam disparo acidental


Castán vai responder por lesão corporal grave. Em caso de condenação, a pena seria de um a cinco anos de reclusão. A Polícia Civil abriu inquérito e já ouviu o jogador e duas testemunhas que estavam no local no momento do disparo. Os três apresentaram a mesma versão: o tiro foi disparado acidentalmente quando Castán entregava a arma, carregada e com pressão, para o amigo atirar.

Delegados do 3.º DP ouvidos pela reportagem da Agência Estado disseram que somente a vítima é que poderá confirmar se o tiro foi mesmo acidental e que a pena para o crime é de um a cinco anos de prisão. A intenção da polícia, segundo eles, é esperar Leonardo se recuperar para ouvi-lo em depoimento e esclarecer até que ponto o jogador do Corinthians pode ser culpado pelo disparo. Segundo os depoimentos, Castán marcou o encontro na edícula onde os amigos iriam saborear uma pizza e o jogador apresentaria a eles o filho, de um ano de idade.

Em entrevista ao Jornal Gente, de Jaú, o delegado de polícia Edmílson Bataier, no Plantão Policial, declarou que tudo indica que o disparo foi acidental. "Eles são amigos, o Leandro veio com a vítima, prestou socorro e se prontificou a ajudar". De acordo com o delegado, a ocorrência foi registrada como "lesão corporal culposa" e o inquérito será conduzido pelo delegado do 3º DP, Wanderley Vendramini. "Em determinado momento, o Leandro foi entregar a espingarda municiada ao Leonardo e, por um problema de acionamento na trava, houve o disparo acidental", explicou Bataier.

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