Motivo de embate político entre vereadores da base governista e da oposição, a mudança da sede do Legislativo para o prédio da Estação Ferroviária será tema de reunião pública no plenário da Câmara Municipal de Bauru, às 9h30 de amanhã. Dessa vez, porém, a Mesa Diretora promete uma discussão técnica acerca da transferência ou não das instalações para o imóvel adquirido pelo poder público municipal em 2009.
Foram convocados para a reunião o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a empresa que elabora o projeto executivo da reforma do prédio da estação (H. Aidar); Fernando Monti e Vera Casério, respectivamente secretários municipais da Saúde e da Educação (cujas secretarias também deverão ocupar o local); Eliseu Areco, secretário de Obras; Marcos Garcia, das Finanças; a Associação do Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag); e entidades patronais e de empregados que representem o comércio.
O presidente da Câmara Roberval Sakai (PP) afirmou que o principal objetivo da reunião é discutir se o novo prédio, a partir do projeto que está sendo elaborado, vai oferecer as condições necessárias para o funcionamento do Legislativo no local, além de efetivamente promover a revitalização daquela área do Centro de Bauru.
Entre os questionamentos que devem ser feitos por membros da Mesa Diretora estão os do ponto de vista estrutural do prédio. Sakai voltou a lembrar que, no período de chuvas, é comum que a área onde o imóvel está situado seja alagado. "Eu sei disso porque já presenciei, quando trabalhava como ferroviário, ocasiões nas quais as águas invadiam até o elevador e impediam completamente o acesso. Por isso, é fundamental que haja a discussão sobre um projeto amplo de drenagem para o local", aponta.
Outro ponto levantado por Sakai está na construção de um plenário e de suas galerias no prédio, pois a altura do ambiente não seria adequada e uma reforma para subir o teto (pé direito) seria dificultada por conta do telhado com antiga estrutura. "É importante que essas dúvidas de caráter técnico sejam esclarecidas publicamente para que a população possa participar do processo", afirma o presidente.
Ainda sobre o plenário, Sakai expõe que existe um desencontro entre informações fornecidas por vereadores da situação e outras obtidas por outros parlamentares. "A base do govenro fala em plenário com 500 lugares, mas é cogitado também que seja para 198, segundo funcionários da própria empresa que desenvolve o projeto, mas que não chegaram diretamente a mim", explana.
Além disso, a Mesa Diretora quer saber se, mesmo com a tendência de que não haja inchaço nas cadeiras da Câmara, a nova sede do Legislativo teria espaço para 23 gabinetes de vereadores no futuro. "O mais importante, porém, é saber a metragem desses gabinetes para saber se valeria a pena sair de onde já estamos instalados. Se for para continuar da mesma forma, compensa ficarmos", explica Sakai.
Abrindo diálogo
O presidente da Câmara ressaltou que a Mesa Diretora não mudou seu posicionamento contrário à transferência da sede do Legislativo, mas pondera que a decisão pode ser revertida caso as explicações técnicas convençam os parlamentares sobre a viabilidade e as vantagens da mudança.
"Todos nós queremos a revitalização da Estação e do Centro da cidade e quanto mais rápido isso acontecer melhor. Mas é preciso deixar claro que esse projeto não depende de que a Câmara vá para o prédio. A prefeitura vai se instalar lá de qualquer jeito", pontua.
Um dos principais críticos à desistência da transferência, o líder da bancada governista Renato Purini (PMDB) classificou como positiva a iniciativa da Mesa em convocar a reunião porque mostra que ela não pode decidir isoladamente questões como essa, que contam com o respaldo popular.