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OMS: celular pode causar câncer


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Nova York - A radiação eletromagnética associada ao uso do celular pode ser classificada como "possivelmente carcinogênica", segundo avaliação da agência da Organização Mundial de Saúde (OMS) responsável pelo estudo do câncer (IARC, na sigla em inglês). A conclusão foi divulgada por 31 cientistas de 14 países reunidos pela entidade para discutir centenas de pesquisas sobre o risco de usar os aparelhos.

Essa avaliação, cujos detalhes serão publicados na edição de julho da prestigiada revista científica "Lancet", reverte, ainda que não oficialmente, posição da OMS afirmando não haver evidências de que o uso do celular provoque câncer. De acordo com o grupo, a exposição ao celular deve ser incluída como fator de risco 2B. Neste grupo estão incluídos agentes "possivelmente" cancerígenos, como alguns químicos, pesticidas e chumbo. Este patamar oferece um risco inferior ao grupo 1, no qual as substâncias são certamente cancerígenas, e 2A, com "provável risco para seres humanos".

"A evidência foi revisada criticamente e avaliada como limitada entre os usuários de celulares para glioma e neuroma, mas inadequada para conclusões sobre outros tipos de câncer", diz comunicado publicado pela IARC. O grupo de trabalho, diz o texto, não quantificou o risco, mas salientou que uma pesquisa no passado sobre uso de celulares, até o ano de 2004, mostrou um crescimento de 40% no risco de glioma na categoria dos usuários mais frequentes de celular - cerca de 30 minutos ao longo de dez anos.

"As evidências, embora ainda sendo acumuladas, são fortes o suficiente para indicar a classificação como 2B. Esta conclusão significa que pode haver algum risco e, portanto, precisamos prestar atenção entre a relação do uso de celulares e o risco de câncer", disse Jonathan Samet, da Universidade do Sul da Califórnia), que presidiu o grupo de estudo da OMS. Christopher Wild, da IARC, disse no comunicado ser "importante que mais pesquisas sejam conduzidas para saber das consequências do uso no longo prazo".Em comunicado, a associação dos fabricantes de celular disse apenas que "a classificação da IARC não afirma que celulares causem câncer".

Todos os órgãos reguladores dos Estados Unidos seguem na mesma linha, assim como entidades como a Sociedade Americana de Câncer e o Instituto Nacional do Câncer. Muitos pesquisadores dizem há anos ser impossível que os celulares provoquem câncer. Os aparelhos, segundo especialistas, produzem ondas de radiação não ionizada que são muito fracas para causar danos no DNA que causem tumores malignos.

Ao todo, 5 bilhões de pessoas do mundo usam celulares. Os aparelhos são difundidos inclusive nas regiões mais pobres da África e da Ásia. Uma das dificuldades dos pesquisadores é conseguir um grupo de controle de não usuários para comparar com as demais pessoas, como ocorre em outros produtos.

Até agora, não foi observada uma relação forte entre o uso de celulares e o aumento no câncer, como foi no caso do cigarro. No ano passado, a pesquisa da própria OMS disse não ter havido "aumento nos casos de glioma ou meningioma" entre os usuários de celular. Naquela pesquisa, a conclusão foi inclusive de que usuários moderados de celular teriam até um risco menor de desenvolverem tumores no cérebro do que não usuários.

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