Um homem apaixonado por tudo que faz. Assim o delegado Alexandre Sampaio Zakir, atualmente corregedor administrativo da Corregedoria da Saúde, que pertence à Casa Civil, se define. Atualmente ele trabalha com o objetivo de desbaratar operações e descobrir fraudes e furtos de medicamentos destinados à saúde pública.
Além disso, é apresentador de um programa de operações policiais veiculado anteriormente na Rede TV, e hoje em outros canais de programação fechada. Segundo ele, foi nessa profissão que aprendeu a valorizar ainda mais o trabalho das polícias Civil e Militar.
Bauruense, ele diz que a cidade continua no seu coração. "Eu moro em São Paulo há mais de 20 anos, mas sempre penso em voltar a Bauru. Um dia eu volto", disse, aos risos.
Alexandre conta que nunca foi uma pessoa que "sonhava" estudar direito, ser delegado e ser corregedor. As coisas foram acontecendo em sua vida e ele afirma que foi se apaixonando por tudo que fazia.
"Eu sou um homem muito apaixonado. Comecei a estudar direito e me apaixonei. Depois comecei a trabalhar com meu pai e também me apaixonei. E assim foi acontecendo. Sou apaixonado pela minha família, minha esposa e meus filhos, pelo meu trabalho de corregedor e também pela nova experiência como apresentador".
Paixões
Essa paixão levou Alexandre a estudar direito, formar-se e mudar-se para a cidade de São Paulo para estudar e conquistar a meta de ser delegado. Começou a carreira com 27 anos e passou por vários distritos da periferia da cidade até chegar no departamento de homicídios. Lá ele descobriu mais uma paixão: trabalhar com investigação.
Permaneceu esclarecendo homicídios por sete anos até ser convidado, há aproximadamente cinco anos, para ser corregedor da Saúde descobrindo furtos e fraudes de medicamentos destinados a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que não possuem condições financeiras de comprar o remédio.
Segundo ele, muitas situações o entristeceram durante suas investigações com relação a fraudes na saúde pública. "Eu fico indignado com qualquer crime. Eu não aceito qualquer crime, e não destinar remédios essenciais para a saúde do usuário é muito grave", opinou.
Mesmo com uma rotina extremamente complicada e cheio de compromissos, ele ainda consegue destinar um tempo para se exercitar. Pratica natação todos os dias há anos, o que considera essencial para manter a saúde em dia e aliviar o estresse da correria diária.
Programa na TV
No programa de televisão "Operação Policial", antigamente, quando firmado contrato com a Rede TV e intitulado "Operação de Risco", Alexandre descobriu mais uma de suas inúmeras paixões, a de apresentador de um programa policial. Para isso, o corregedor concilia os horários de gravação aos seus dias de folga.
"Ali é uma experiência totalmente diferente porque eu mostro um outro ponto de vista e o trabalho diário das polícias Civil e Militar. Eu passei a valorizar ainda mais o trabalho das polícias e é importante que a população também veja o trabalho policial de outra maneira para entender como realmente funciona", ressaltou Alexandre Sampaio Zakir.
Criminalidade
Para o corregedor Alexandre Sampaio Zakir, a criminalidade é cíclica e migra de função constantemente. "É um crime de custo-benefício, se o autor vê que dá mais prejuízo do que benefícios, ele muda o foco. Acredito até que a criminalidade está com os dias contados. O avanço da tecnologia viabiliza provas técnicas e precisas o que ajuda muito o trabalho dos setores de inteligência", opinou.
Fiança X impunidade
Uma alteração no Código de Processo Penal, sancionada no último dia 5 pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deverá dificultar a manutenção das prisões em flagrante e os pedidos de prisão preventiva para acusados de uma série de crimes. A previsão é de que a lei 12.403/11 entre em vigor no próximo dia 5 de julho.
Entre as mudanças está a de que o crime de furto poderá ter fiança arbitrada pelo delegado que registrar a ocorrência. O furto é um crime contra o patrimônio que cresceu nos últimos anos, e a pena prevista é de um a quatro anos de reclusão. No entanto, a penalidade é branda para réus primários, que geralmente ficam presos por cerca de uma semana.
O corregedor Alexandre Sampaio Zakir não acha que a mudança vá gerar impunidade. "Eu acho a medida boa com a certeza de que a punição acontecerá. O tempo na prisão às vezes acaba deixando esse indivíduo ?estragado?. Eu acredito no ser humano e que essa medida possa ajudar a Justiça porque muitos criminosos nem se preocupam com a quantidade da pena", salientou.