Turismo

Foz do Iguaçu

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Os argentinos provocam os brasileiros dizendo que a maior parte das 300 quedas d?água (no período de cheias) fica em seu território. Do lado de cá da fronteira, argumenta-se que a melhor vista, contudo, é nossa. Picuinhas à parte, a verdade é que, para tirar a cisma, o melhor é visitar os dois lados das Cataratas do Iguaçu.

O Parque Nacional do Iguaçu, tombado pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade em 1986, estende-se por uma área de 185 mil hectares do lado brasileiro e outros 67 mil hectares do lado argentino (Parque Nacional do Iguazú).

Ali encontra-se uma das últimas reservas de mata atlântica do Brasil, o que explica a rica biodiversidade. As trilhas são acompanhadas por borboletas, pássaros, quatis - a espécie-símbolo do parque - e por exemplares da palmeira juçara, cada vez mais rara. São tantas as atrações que você vai precisar de pelo menos um dia de cada lado da fronteira - e, ainda assim, vai sentir que faltou tempo para ver tudo.

Na área brasileira, escolha como percorrer os 9 quilômetros da Trilha do Poço Preto: a pé ou de bicicleta, alugada no próprio local. Todo o percurso, até a Lagoa do Jacaré, é acompanhado por guias. Na "casa-mata", um tipo de observatório da fauna local instalado a 10 metros de altura, não é difícil encontrar espécies como a andorinha-do-rio, o anu d?água, a garça-cinza e a saracura-do-mato. De lá, há duas maneiras de voltar: de barco pelo Rio Iguaçu até as Ilhas da Taquara, com opção de pegar um caiaque ou descer em barcos bimotor até Porto Canoas, ou pela Trilha da Bananeira, caminhada leve de 1,5 quilômetro.

Na Trilha das Cataratas, a mais procurada, não é preciso guia e você nem sente o cansaço bater com as subidas e descidas que contornam as quedas d?água. Há vários mirantes pelo caminho, além de uma passarela que leva até pertinho da Garganta do Diabo - a vista mais impressionante da cachoeira, contudo, fica em Puerto Iguazú. Para atravessar a passarela, alguns até alugam capas de chuva. Se o dia estiver ensolarado, além do arco-íris constante na paisagem, a fina chuvinha levantada pelo impacto da água é mais que bem-vinda. Mas proteja as câmeras.

É possível se aproximar ainda mais das cataratas - aí sim, com direito a um verdadeiro banho. O roteiro do Macuco Safári começa com uma trilha de três quilômetros pela mata, em uma carreta puxada por um carro elétrico. É preciso caminhar mais 600 metros até o Salto do Macuco, onde as embarcações aguardam os visitantes.

Um barco inflável bimotor sobe a margem brasileira do Rio Iguaçu em direção à Garganta do Diabo. Conforme as quedas vão se aproximando, uma névoa embaça a visão. Habilidosos, os pilotos manobram o "bote elétrico" na queda Três Mosqueteiros para que ninguém saia seco da aventura. Os banhos são rápidos, mas repetidos e certeiros - por isso, deixe a câmera guardada na base de onde sai o bimotor.


Com emoção


Para quem quer radicalizar no parque, o Campo dos Desafios oferece diversas atividades. O rafting desce quatro quilômetros pelo Rio Iguaçu: são dois quilômetros de corredeiras e outros dois em águas calmas, ideais para um mergulho. Já o rapel proporciona 55 metros de descida, com vista privilegiada das cataratas. No circuito de arvorismo, há muro de escalada e tirolesa - ao longo dos obstáculos, a altura fica cada vez maior.


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