Washington - O surto infeccioso de uma variedade da bactéria Escherichia coli (E.coli) que deixou ao menos 17 mortos e contaminou outras mais de 1.500 na Europa chegou aos EUA, que confirmaram dois casos de americanos afetados.
Bem como a quase totalidade dos contaminados, os dois americanos estiveram no norte da Alemanha dias antes de apresentarem os sintomas. A região é o epicentro do surto infeccioso.
Os casos foram confirmados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças local, mas as identidades dos infectados não foram reveladas. Um terceiro caso de americano infectado foi registrado na República Checa, e o turista - que também estivera na Alemanha - está internado na Capital, Praga.
O número de vítimas chegou ontem a 17 - sendo 16 alemães - depois de Berlim confirmar que morte suspeita no domingo foi provocada pela bactéria. A outra morte foi registrada pela Suécia.
Também ontem, a agência nacional de saúde da Alemanha elevou o número de casos confirmados para 1.534, 365 a mais que na véspera.
Destes, 470 desenvolveram a chamada síndrome hemolítico-urêmica (HUS, na sigla em inglês), agravamento da infecção que desencadeia complicações renais.
O índice de cerca de 30% dos casos de infecção pela E.coli que desenvolvem HUS é considerado sem precedentes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (a OMS), em geral isso ocorre apenas em 5% a 10% dos casos.
Segundo especialistas, um índice tão elevado pode significar que há número muito maior de infecções não registradas - devido aos sintomas moderados- ou que há mutação genética que faz a bactéria ficar mais agressiva.
Pepinos
Autoridades alemãs ainda tentam, no entanto, descobrir a origem do surto infeccioso, já que a suspeita que de início recaiu sobre o pepino importado da Espanha vem perdendo força depois de testes.
Nos pepinos avaliados, foram encontradas bactérias E.coli, mas não do tipo que originou o surto infeccioso.
Ontem, a Comissão Europeia retirou as restrições ao consumo de pepinos espanhóis provenientes de Málaga e Almería que impusera há uma semana.
Mas a medida não satisfez o governo espanhol, que disse considerar a possibilidade de requerer reparações na Justiça pelos danos econômicos causados pelas autoridades alemãs que levantaram suspeitas sobre os pepinos.
Os espanhóis estimam que a crise custe 200 milhões por semana e afete até 70 mil agricultores no país, que tem as mais altas taxas de desemprego da UE, cerca de 20%.
"A bactéria não está na Espanha??, disse o vice-premiê, Alfredo Rubalcaba. "Uma vez que a verdade seja restabelecida, resta ressarcir perdas, que não são poucas.??
Autoridades alemãs defenderam, porém, as medidas adotadas no início da crise, e ainda recomendam aos seus cidadãos que não consumam alguns alimentos, inclusive os pepinos, crus.