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Como é possível prevenir os erros?

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Pequenos e corriqueiros, como esquecer a senha de uma conta bancária nova ou de um e-mail pouco usado, até graves e catastróficos, como perder a atenção por um segundo e ultrapassar o sinal vermelho causando um grave e mortal acidente de trânsito. Por mais que se evite e que a sociedade (cada vez mais preocupada com a perfeição) não aceite, erros ou falhas acontecem o tempo todo e, segundo a ciência, fazem parte da natureza humana e são inevitáveis. Contudo, é possível identificar as causas dos deslizes cotidianos mais comuns e até amenizá-los.

Que atire a primeira pedra quem nunca se pegou, ao menos uma vez, com a certeza de dominar 100% uma determinada tarefa mas falhar no decorrer de sua realização. Depois da falha, é comum que a explicação seja: "eu não imaginei que algo poderia ser diferente do que já eu já estava acostumado". Normalmente, a autoconfiança exagerada é a fonte dessas falhas.

O psicoterapeuta Arnaldo Vicente é presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia Cognitiva e coordenador do Centro de Terapia Cognitiva de Bauru. Ele explica que, muitas vezes, quando a pessoa está diante de coisas que faz sempre e que faz bem, ela não se atenta para o fato de que a situação, embora parecida, possa apresentar detalhes diferentes, e responde de forma padronizada.

"Quando a autoconfiança é muito grande, o indivíduo pode não prestar atenção nas tarefas desempenhadas e errar por isso. Por acreditar ser altamente capaz, ele acredita não ter motivos para rever as tarefas ou parar para pensar".

A coordenadora de recepção de vendas Lislaid Avelino tem uma rotina diária. Ela acorda bem cedo e, às 6h, precisa abrir as portas da academia onde trabalha. Todas as manhãs, ainda na garagem de casa, ela abre a porta traseira do carro para colocar a bolsa e seus objetos pessoais. Sempre assim.

Porém, certo dia, a chave da academia e a do carro foram colocadas, por distração, no banco do passageiro. "Fechei a porta do carro sem me atentar para o fato e fiquei desesperada porque já estava quase na hora de abrir a academia. Como não consegui abrir a porta, não pensei duas vezes: peguei uma pedra e quebrei o vidro", conta.

Como prejuízo da falha, ela desembolsou R$200,00 para consertar o vidro do carro. E como aprendizado, ficou bem mais atenta à rotina.

Medo de errar


É fato que a sociedade não tolera erros, sejam de ordem profissional ou pessoal. Outro fato é que as pessoas têm aversão às falhas. Um exemplo é uma pessoa que acredita não ser bem recebida em um determinado ambiente. Por acreditar nessa ideia, ela procura reverter a situação imaginada e se envolve em uma série de comportamentos para isso. Caso ela acredite não ser capaz de resolver as situações, ela se esquiva.

Tal atitude é evidenciada em pessoas que se isolam e que fogem de convites sociais por terem medo de falhar, ou deixam de cumprir tarefas pelo mesmo motivo. Se quem se sente competente em excesso falha, a pessoa que acredita não ser, também pode falhar por criar a ideia de que é incompetente ou inadequada.


Involuntário


Segundo Vicente, cada vez mais a atenção das pessoas se volta para a importância do pensamento nos fracassos ou sucessos do cotidiano. "O primeiro desejo humano é acertar, o grande problema está em esquecer dos acertos quando ocorre um erro e passar a se preocupar demais com isso. Na hora do desafio, a pessoa conta com o negativo e acaba falhando. Os pensamentos negativos são involuntários e capazes de induzir ao erro", aponta (Veja no quadro acima).

Em números, o psicoterapeuta acredita que, cerca de 79% dos erros imaginados não chegam a acontecer. Dos 21% restantes, 80% das situações são resolvidas.

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