Geral

Uma coisa de cada vez e sempre

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Quem nunca se sentiu multifuncional? Contudo, a capacidade de realizar, com êxito, várias atividades ao mesmo não é reconhecida por especialistas.

A psicologia cognitiva, por exemplo, aponta a limitação do cérebro em focar muitas coisas ao mesmo tempo. Quando fala ao celular enquanto dirige, por exemplo, você pode até ter a sensação de desempenhar duas atividades com sucesso, até bater o carro.

Segundo especialistas, se fosse possível fotografar a atenção humana no exemplo citado, veria-se um pingue-pongue, um macaco pulando de galho em galho. No mesmo contexto, tal confiança quase sempre vem do fato das pessoas não perceberem a incapacidade de realizar várias coisas ao mesmo tempo. E quando o erro ocorre, ele até pode ser considerado por quem o cometeu, mas isso não significa que o indivíduo acredite ter se equivocado quanto a sua capacidade de fazer várias coisas simultâneas com sucesso e sem colocar a vida de alguém em perigo.

"Hoje, o homem se considera capaz de segurar todos os rojões. Ele trabalha, faz hora extra, acrescenta um bico, tem esposa, às vezes amante, filhos, sogra, animais de estimação... Quer um carro novo, viagem dos sonhos, isso e aquilo outro. Cada um dentro de sua classe social e posse, mas todos tentando se equilibrar enquanto vivem um verdadeiro tsunami cerebral", pontua o médico neurologista Pedro Geraldo Hortense.


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Identifique razão pelo medo de falhar


"O segredo é entender que não há emoção sem uma ideia criada", afirma o psicoterapeuta cognitivo Arnaldo Vicente. Um dos fatores que explicam o porquê das falhas e erros humanos está na ansiedade, que pode ser definida como o produto da ideia de que é preciso dar contas das coisas e que, se você não se esforçar, poderá falhar. Quando não controlada, a ansiedade pode, sim, gerar falhas.

Para vencer o fantasma da ansiedade é preciso entender a ideia que há por trás do medo da falha e verificar se ela é realmente verdadeira. Depois da análise, é possível observar o que é verdade e quais ideias estão superdimensionadas, assim, o problema fica menor. "Nesse momento, a pessoa pode enfrentar as situações e desempenhar as tarefas com maior eficácia", sugere Vicente.

Outra modo de controlar a ansiedade é praticar exercícios respiratórios. Eles relaxam a circulação sanguínea e normalizam os batimentos cardíacos. Contudo, vale lembrar que uma pequena dose de expectativa frente às situações é normal. O que não se pode é acreditar na ideia de que as coisas sempre vão dar errado.

Levante-se

Vicente afirma que, para aprender com os erros, primeiro é preciso entender que errar e acertar são atitudes humanas e que é possível aprender com os dois lados dessa moeda. Se errou, orgulhe-se por ter tido a coragem de tentar acertar. O importante é preservar e incentivar a postura da autoconfiança para tentar sempre.

Cometer falhas por distração não é novidade para a estudante Ariádine Paixão. "Cheguei a guardar a chave de casa dentro da geladeira, e só achamos quando alguém da casa sentiu sede. Percebi que essas constantes falhas estavam me atrapalhando".

A solução encontrada pela estudante foi um caderno de anotações. Nessa agenda, ela anota tudo, desde coisas do trabalho e da faculdade, até recados e afazeres da vida pessoal. "Acredito que as coisas melhoraram depois dessa postura", garante.

No entanto, enquanto algumas falhas provocam apenas pequenos transtornos pessoais, outras são literalmente mortais, como os erros médicos. Exemplo é o caso da menina Stephanie, de 12 anos, morta acidentalmente na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em 2010, por uma auxiliar de enfermagem que se enganou e, ao invés de soro, colocou vaselina no sangue da paciente.

Um caso recente, mas com final feliz, foi registrado no dia 10 de maio, quando uma recém-nascida caiu das mãos de uma médica logo após seu nascimento, no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. A menina recebeu alta médica no fim de maio.

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Deu branco


Com a atenção e a concentração voltadas para o balão de preocupações e na tentativa de resolver os problemas, o ser humano fica mais propenso às falhas. É nesse momento que o lugar onde o carro foi estacionado é esquecido e os acidentes de trabalho e de trânsito acontecem. Segundo o neurologista, este é o perfil da maioria dos pacientes que o procuram por problemas na memória.

E por falar em memória, os "brancos" também são responsáveis por algumas falhas cometidas no cotidiano. Um recado importante que deixa de ser dado e, pronto, lá se vai uma boa oportunidade.

Pequenos esquecimentos, como as senhas, são tão comuns que, segundo revelou o jornal New York Times, cerca de mil leitores esquecem os códigos de acesso da publicação da online toda semana (Confira dicas para manter a saúde da memória e errar menos no quadro).

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