O sucesso estava escrito nas estrelas
Dono de um sorriso ímpar e contagiante, João Bidu começou sua história, como ele mesmo gosta de dizer, por acaso. Ainda João Carlos de Almeida, ele trabalhava como locutor na rádio Auri-Verde quando passou a apresentar o horóscopo de Omar Cardoso. "Gostei do contato com o público feminino, estudei astrologia e as coisas foram acontecendo".
Com a popularidade em ascensão e o bom retorno do público ? relação que chega a três décadas - João Bidu lança "João Bidu ? Horóscopo 1975". Mas foi em 1986 que nasceu a primeira edição da revista que viria a ser o carro-chefe da Alto Astral, a "O Seu Guia Astral", mais tarde, "Guia Astral".
Da publicação para o nascimento e o crescimento da Editora Alto Astral foi um passo. Hoje, a editora não para de crescer. Somente no ano passado, foram 45 milhões de exemplares em 14 segmentos, consagrando-se como a segunda maior do País em venda avulsa e a única de grande porte com sede em uma cidade do Interior.
Bem antes de tornar-se "Bidu", João Carlos foi "Cala", um menino alegre que, mesmo com dificuldades de locomoção geradas pela paralisia infantil, jogou bola, andou a cavalo, caçou passarinhos e reinou na Vila Dutra/Curuçá, onde também conheceu Pelé.
Locução esportiva, presidência do centro de reabilitação Sorri-Bauru, relação com as leitoras também fazem parte da entrevista que segue abaixo.
Jornal da Cidade - Uma curiosidade: Por que João Bidu?
João Carlos de Almeida - Esse nome foi criado pelo Tobias Ferreira, que era o diretor e sócio da rádio Auri-Verde. Bidu, nos anos 60, era uma gíria que designava "claro, adivinhão". E, na verdade, não era para eu ser astrólogo, mas apenas apresentador do horóscopo de Omar Cardoso.
JC - Tomou gosto pela astrologia?
João Bidu - Acabei virando astrólogo sem querer. Eu era locutor esportivo quando me interessei e passei a me envolver com a astrologia. Gostei do contato com o público feminino, já que no futebol eu trabalhava mais com homens. Bom, o Tobias Ferreira disse que o Omar Cardoso iria responder especialmente para Bauru, mas as cartas chegavam e nada dele responder. Peguei uns livros dele e comecei a ler o que estava naqueles anuários. Foi quando decidi que estava na hora de começar a aprender o porquê de Libra ser o inferno astral de Escorpião, porque Aquário é o paraíso astral de Libra...Tentar entender astrologia. Gostei, aprendi e, quando o Omar Cardoso saiu da Auri-Verde e foi trabalhar na rádio Bandeirantes de São Paulo, que tinha a Bauru Rádio Clube, viramos adversários. Era a criatura contra o criador, digamos assim (risos). E teve início minha carreira como astrólogo.
JC - Sua relação de "conselheiro" com as mulheres ultrapassa gerações.
João Bidu - É uma relação que tem mais de 30 anos. Claro que, no início, não havia os casos atuais. As pessoas falavam apenas sobre signos, não abordavam a parte amorosa e sexual. Ainda no rádio, eu acabei sendo um pouco ousado e comecei a falar de sexo. Lembro-me até que uma pessoa de Bauru me disse ter ficado constrangida no carro com a filha quando eu comecei a falar sobre sexo. Parei. Porém, eu já tinha programa na rádio Alvorada de Lins e o dono da rádio disse que o programa era importante para as pessoas, foi quando tivemos a ideia de colocar uma vinheta para as pessoas saberem quando eu falaria sobre sexo. Já na revista, eu também achei que daria um casamento legal um astrólogo falar sobre amor e sexo usando a parte astrológica para amarrar. Acho que foi uma mistura que deu certo e ajudou muito no crescimento da revista.
JC - Imagino que alguns pedidos de conselho são, no mínimo, curiosos.
João Bidu - Quando elas pedem pelo amor de Deus para que eu as ajude, eu percebo a fé e a confiança que elas têm em mim. Essa é a razão pela qual eu lido com isso com muito respeito e seriedade. Quanto aos fatos curiosos, não faltam no meu trabalho, porque as pessoas se abrem. Quando o caso é muito "cabeludo", eu pego o telefone para conversar pessoalmente com a leitora. Certa vez, liguei para uma leitora que tinha descoberto que o marido era gay e não sabia como agir. Respondo os e-mails com o maior prazer, é uma maneira de retribuir tudo o que elas me passam.
JC - São 25 anos de Editora Alto Astral. Lembra-se da primeira edição?
João Bidu - No início não era nem editora. De 1974 para 1975, eu lancei o primeiro anuário com previsões para o fim do ano. Foram mil exemplares especialmente para Bauru. O nome era "João Bidu - Horóscopo 1975", com previsões feitas por mim. Depois, teve ano que eu fiz, outro não, até que lancei um anuário com cinco mil exemplares, já em parceria com o Pedro José, que é meu sócio. Em 1985, lançamos a primeira revista de circulação nacional: "Astral 86 - Sonhos e Simpatias". Em abril de 1986, lançamos a nossa revista periódica "Guia Astral". Nessa época, ainda não tínhamos editora, eu usava uma empresa de publicidade, a "Alto Astral Publicidade", para fazer a revista.
JC - Em algum momento chegou a sonhar ou objetivar ter a segunda maior editora do País?
João Bidu - Em momento algum imaginei tal crescimento. Nosso sonho era consolidar a "Guia Astral" e não esperávamos que atrás dela viriam outras revistas de horóscopo, Todateen e todos os outros títulos e segmentos, como culinária, educação, decoração, infantil, esportes, entre muitos outros.
JC - Como analisa o espaço conquistado nas bancas?
João Bidu - É difícil encontrar os elementos que fizeram com que a editora crescesse, mas nem sempre foi assim. Há uma história que gosto de contar. No dia 1.º de maio de 1986, eu estava em São Paulo e passei em uma banca da Avenida São João (a Guia Astral tinha sido lançada no dia 18 de abril) para perguntar ao jornaleiro sobre a revista. Para minha decepção, ele falou que não a conhecia. Procurei até que a encontrei escondida no alto da banca. Pensei: Meu Deus, se eu que sou o dono não encontro a revista, imagine o povo. Porém, estávamos no plano Cruzado do Sarney e houve um "boom" do consumo. Nessa época, a revista "Horóscopo", da editora Abril, era a líder de vendas e esgotava rápido. Foi quando as pessoas passaram a comprar a Guia Astral, que deslanchou.
JC - Há fórmula para esse sucesso?
João Bidu - Humildade, vontade de aprender e equipe. A formação de equipe é fundamental. Eu e o Pedro não faríamos nada sozinhos. Valorizar os funcionários e manter um ambiente agradável é outro fator importante, até para justificar o nome da empresa, né?! (risos). Talvez seja isso, mas acima de tudo acredito no talento e no comprometimento da equipe. Outra coisa importante para nós é o fato da Alto Astral ser a única editora grande em uma cidade do Interior. Houve um tempo em que queríamos nos mudar para perto de São Paulo, porque tudo o que precisávamos vinha de lá e Bauru ainda não tinha faculdade de jornalismo. Mas as coisas foram acontecendo e hoje empregamos cerca de 310 pessoas, entre estagiários, temporários e funcionários.
JC - Quem foi o menino João Carlos de Almeida?
João Bidu - Tinha o apelido de "Cala", porque meu irmão não conseguia dizer meu nome (risos). Cresci na Vila Dutra/Curuçá, onde jogou Pelé. Tive paralisia infantil com dois anos e meio, mas isso não impediu que eu tivesse uma infância intensa e muito gostosa. Jogava bola, andava a cavalo, caçava passarinho, nadava na lagoinha...Naquela época, era comum que as famílias escondessem os deficientes achando que era castigo de Deus ou para preservar mesmo, porém, minha mãe nunca me deu moleza e me jogou para a rua, o que me proporcionou uma infância normal e deliciosa.
JC - Tem boas histórias com o rei do futebol?
João Bidu - Meu pai jogava o primeiro tempo pelo Noroeste e, no segundo, saía para o Pelé entrar. Tenho uma passagem com o Pelé que eu não consigo esquecer, não sei o porque. Lembro-me que estava brincando de goleiro perto de casa e o Pelé passou por lá para pegar o trem e me disse: "pega essa", chutando uma bola para eu defender. Agora, se defendi ou não, isso não me lembro (risos).
JC - Por que locutor esportivo?
João Bidu - Como eu não podia jogar bola, ficava com uma latinha brincando de transmitir o jogo. Foi daí que veio a vontade de ser locutor. Leonardo de Brito foi o meu primeiro chefe, foi com ele que eu aprendi os traquejos do esporte. Fazia comentário varzeano. No domingo, vinha de Curuçá de manhã, assistia ao jogo da várzea do campeonato amador, almoçava na casa da minha madrinha, da minha tia e às 13h30 estava na rádio para fazer o comentário. Depois fui radioescuta, plantão esportivo, repórter, até conseguir chegar na locução esportiva, que era o meu grande desejo. Sempre fui muito ligado ao futebol, é algo que gosto muito. Ah, também já fui professor.
JC - E tem boas lembranças dessa época?
João Bidu - Fui professor de ciências e de matemática, mas não tenho boas recordações dessa época, não (risos). Estudei ciências na Fundação e meu irmão, educação física no Toledo. Chegou o fim do ano, ambos não podíamos pegar o diploma por mensalidades atrasadas. Eu já trabalhava na Auri-Verde e ganhava meu dinheirinho, então, emprestei o dinheiro para meu irmão pegar o diploma dele e ir em busca de aulas. Como eu já trabalhava, deixei para pegar o certificado no próximo ano. Porém, de um ano para o outro, a procura por professores já não era tão boa e eu teria de ir para longe, provavelmente para o Paraná. Mas o Tobias Ferreira disse que era para eu ficar na rádio porque cresceria lá. Então fiquei.
JC - Quando a Sorri passou a fazer parte da sua vida?
João Bidu - Eu trabalhava na Auri-Verde e no Diário de Bauru quando o Thomas Frist, idealizador da instituição, achou que uma pessoa com deficiência na mídia poderia ser bom para a Sorri. Fui para a Sorri no intuito de ser um conselheiro e jamais imaginei chegar à presidência, onde estou há 17 anos. Mas ao todo são 25 anos de Sorri.
JC - Acredita ser um homem de sorte?
João Bidu - Sinceramente eu não sei. Só ganhei na loteria esportiva uma vez e acabamos perdendo tudo em seguida. Mas foi pouco dinheiro (risos). Sinto que as pessoas gostam muito de mim e isso não sei explicar.
Perfil
Nome: João Carlos de Almeida
Idade: 63 anos
Local de Nascimento: Bauru
Signo: Escorpião com ascendente em Câncer
Esposa: Inês
Filhos: João Carlos e Angélica
Hobby: Ver futebol
Livro de cabeceira: "Cem anos de solidão", Gabriel Garcia Marquez
Filme preferido: Gosto de comédias
Estilo musical predileto: Gosto de muitos tipos de música
Time: Noroeste e São Paulo, nessa ordem
Para quem dá nota 10: Às pessoas que conseguem parar de fumar
Para quem dá nota 0: Aos políticos, com algumas exceções
E-mail: joaobidu@astral.com.br