Foi surpresa nesta semana (segunda-feira dia 30) matéria neste jornal, cuja Batra ? Bauru Transparente, que é uma ONG, exigiu prestação de contas da administração pública da cidade junto à Promotoria de Cidadania e Patrimônio Público de Bauru. A primeira grande surpresa da matéria é o conteúdo em si. Ou seja, trata-se de entidade civil e apolítica exigindo da prefeitura que preste conta de seu trabalho. Este é um grande exemplo de cidadania a todas entidades civis existentes. Se a sociedade que é organizada atuar cobrando transparência de forma isenta, ou seja, sem interesses políticos menores, melhoraremos, tremendamente, a qualidade dos serviços prestados e a gestão pública na administração dos recursos financeiros existentes.
Parabéns à Batra no sentido de cobrar transparência e prestação de contas junto a pre-feitura. Outro aspecto importante da matéria é ser divulgado a existência da Promotoria de Cidadania e Patrimônio Público. Acredito que pouca gente conhece este trabalho, como funciona e quando devemos acessá-lo ou acioná-lo. Se esta Promotoria divulgar mais o seu trabalho será muito bom no sentido de conscientizar e despertar mais a cidadania das pessoas.
O terceiro aspecto surpreendente é a dificuldade da Batra em conhecer e receber as informações desejadas. O governo municipal deve ter o maior interesse em trabalhar com todos os segmentos da sociedade organizada. A Batra tem um objetivo louvável que norteia a sua existência e deveria ser respeitada no sentido de transformá-la em parceria. Poderia ser um conselho avaliador das contas públicas e trabalhando de graça para a prefeitura. Quanto mais transparente for o serviço público, mais aliados e sensibilizados nós teremos, compartilhando, assim, os desafios e dificuldades do trabalho. Por outro lado, as conquistas e avanços seriam comemorados e celebrados por muita gente. Entendo que a transparência maior do trabalho público mobilizaria muita gente no sentido de opinar e participar das soluções. Entidades civis poderiam ser convocadas a participar conforme suas especialidades. Se combinarmos transparência com projetos que apontam claramente qual é o rumo pretendido pela prefeitura, teríamos toda a sociedade participando e comprometida, além das universidades existentes, que poderiam prestar importantes trabalhos de apoio.
Com projetos, melhora-se o nível do debate. Além de inibir, naturalmente, as tentativas de corrupção e suborno. A Câmara de Vereadores poderia prestar um serviço melhor neste cenário de transparência e com participação da sociedade organizada também. Enfim, acho que a prefeitura tem uma grande chance de utilizar a informação como forma de melhorar o serviço prestado, engajar funcionários públicos, comprometer a sociedade organizada, baixar custos e atender corretamente às demandas existentes, satisfazendo o seu principal cliente, que é o cidadão (ã). Ao invés de sentir-se pressionada, a prefeitura deveria aproveitar a oportunidade para grande salto no sentido da transparência e negociação com a sociedade, além da Câmara de Vereadores. Boa sorte! Torcemos para que o caminho seja espontaneamente este.
O autor, Ricardo Coube, é diretor do Grupo Tiliform