Tribuna do Leitor

O MUNDO NÃO ACABA AQUI


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Quando vemos ou ouvimos um "arauto da palavra de Deus" descrevendo, por exemplo, como foi criado o mundo, é óbvio que ele não prova sua afirmação. Se lhe for pedido para provar a veracidade de sua prédica, argumentará que sua "verdade" está na Bíblia. Complicado, pois nem tudo na Bíblia é verdade, sabido que verdade absoluta não é apanágio do homem na esfera terrestre. Mesmo as teorias científicas provadas e experimentadas são relativas. Invariavelmente, o pregador se baseia na fé cega, não na fé raciocinada, por isso não distingue o joio do trigo.

Logo, a Bíblia está certa, mas o pregador, não. Sua palavra, contudo, ele mesmo não crê, mas não deixa de semear alguma coisa boa, embora falte com a verdade apregoada. Ora, o livro sagrado dos hebreus foi escrito há cerca de cinco mil anos e outro era o cenário espaço-tempo. Jesus acrescentou ao livro de Moisés que o reino Dele (e nosso) não é deste mundo e que há muitas moradas na casa do Pai sugerindo que, além do nosso mundo material, existem outros mundos, inclusive mundos espirituais (habitados, portanto) imperecíveis e mais evoluídos. Quem percebe os mundos espirituais, despe-se das ilusões terrestres para cultivar a esperança mais segura que podemos ter. Segundo Jesus, todos nós somos herdeiros desses mundos, a verdadeira pátria (nenhuma ovelha há de se perder).

Há cinco mil anos, não era possível compreender as formações geológicas, nem era possível suspeitar da imensidão do espaço. E a Bíblia, na verdade, descreve uma suposta formação da Terra, não do mundo, assim entendido o universo. Situada no seu espaço-tempo, a versão bíblica faz sentido, tem muita lógica, mas sob a luz do raciocínio. Torna-se necessário refazer ao aprendizado (e melhorar o coração). Caso aparecesse um profeta (enviado de Deus) na época presente, que se desse ao trabalho de descrever a criação do universo, ele, certamente, não derrogaria a descrição bíblica, assim como Jesus também não derrogou a lei antiga. Os ensinamentos de Jesus, mais que tudo, também não dispensam a lógica e o raciocínio na fé.

Logo, as explicações do profeta moderno aplicariam as teorias da relatividade, a teoria quântica e a astronomia moderna, que complementam as concepções antigas, mesmo as da ciência clássica (ainda largamente aplicada e prestigiada nos meios acadêmicos). A ciência também não derroga a essência da Bíblia.

O profeta que se lançasse, como Moisés no livro de gênese, a dar uma descrição atual do universo, igualmente não dispensaria as fontes racionais nas novas revelações, disponíveis na ciência moderna. Jesus usou essas mesmas fontes, mas teve de socorrer-se das parábolas para dizer que existem muitos mundos (e que a vida continua nesses mundos), embora a ciência ainda não reconheça oficialmente os mundos espirituais (questão de tempo). Os profetas hoje são cientistas, enquanto a religião só nos tem dado falsos profetas que, esquecidos da missão, mercantilizam a fé.


Venício Augusto Francisco

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