No Brasil, 43% das vítimas de queimaduras são crianças de até 14 anos. A realidade na Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) do Hospital Estadual (HE) de Bauru não é muito diferente. Os pequenos com até 10 anos também são o maior volume de pacientes (leia quadro ao lado). Por essa razão, hoje, Dia Nacional de Prevenção de Queimaduras, cinco mil gibis com histórias da Turma da Mônica sobre as situações de risco para as crianças serão distribuídos na cidade. Apenas 20% dos casos de queimaduras são decorrentes de situações inevitáveis, de acordo com Cristiane Rocha, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras - Regional São Paulo e supervisora médica da Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) do HE. Todos os outros casos poderiam ter sido evitados.
Apostando no fato que o melhor tratamento para as queimaduras é a precaução, a sociedade em parceria com o Hospital Estadual, alertará crianças e seus responsáveis.
De acordo com levantamento do HE, no ano passado, a maior parte dos pacientes atendidos pela UTQ foi vítimas de escaldos, quando a pessoa entorna líquido quente no corpo (veja ao lado). No inverno, o consumo de sopas, chás e leite quente aumenta, elevando o risco desses acidentes. "É a chaleira de água fervendo, o cabo da panela para fora do fogão, coar café com a criança no colo, são várias situações onde a criança pode bater a mão e derrubar, se ferindo. Também logo chegam as férias e as crianças passarão mais tempo em casa, podendo aumentar ainda mais esse risco", ressalta Cristiane.
Por isso, ela destaca a importância da prevenção. "A cada história, os personagens se envolvem em situações que podem levar a uma queimadura. Por exemplo, o Chico Bento pulando fogueira, o Franjinha, que é um inventor, se ferindo com queimadura elétrica e a Magali, na cozinha. São situações que acontecem com crianças, para elas perceberem os riscos", pontua.
O gibi também traz como orientação o encaminhamento a um hospital logo após a queimadura. De acordo com Cristiane, a pessoa ferida deve resfriar a pele queimada, para aliviar a dor, cobrir o ferimento com um pano limpo e procurar um médico. "Receitas caseiras podem atrapalhar o tratamento", explica.
A campanha será realizada simultaneamente em São Paulo, Ribeirão Preto, Marília, Sorocaba, Limeira, Catanduva e Bauru. Na cidade, serão distribuídos 5 mil gibis aos pacientes e acompanhantes que passarem por atendimento nos ambulatórios do HE, e nas lojas do Supermercados Confiança Max, Rodoviária e Mary Dota. No hospital a abordagem será das 8h às 17h e nas unidades do Confiança, das 8h às 20h.
Em Bauru
No ano passado, a UTQ, que também atende boa parte do Interior de São Paulo, atendeu 214 pacientes, sendo que 57 eram crianças menores de 10 anos o que corresponde a 26,7% dos atendimentos.
Além dos escaldos, álcool e fogo também vitimaram outras 60 pessoas em um ano. No inverno, a médica Cristiane Rocha, coordenadora da UTQ, lembra que muitas queimaduras têm como origem os fogareiros com álcool feitos em casa para aquecer.
Aliás, maioria absoluta dos acidentes acontece dentro de casa. Foram 156 acidentes domiciliares que resultaram em pessoas queimadas. "E o principal ponto é a cozinha. Mas os ferros de passar roupa também causam muitos acidentes. Os pais e responsáveis precisam ficar atentos com os fios desses utensílios. As crianças podem passar correndo e tropeçar na fiação, derrubando o ferro e causando a queimadura", orienta. Em seguida, vem o ambiente de trabalho, com 37 ocorrências.
De acordo com as estatísticas nacionais, crianças até 14 anos são as que mais sofrem queimaduras (43,3%), o escaldo é a principal causa (49%) e 79% das queimaduras ocorre em ambiente domiciliar.
O tratamento de uma pessoa vítima de queimadura leva, em média, no Hospital Estadual, cerca de 3 meses. As sequelas são permanentes. Além das cirurgias de reparação, são necessários outros tipos de cuidados como o nutricional e a fisioterapia.
Atualmente, o paciente que há mais tempo está em tratamento na unidade é Cláudio Mello. Vítima da explosão de uma locomotiva da ALL no dia 8 de janeiro, ele ainda não recebeu alta médica. Porém, de acordo com a assessoria de comunicação do HE, ele continua em recuperação e passa bem.