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Dilma espera posição da Procuradoria-Geral para definir caso de ministro


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Brasília - Em conversa por telefone, a presidente Dilma Rousseff acertou ontem com Antonio Palocci, pivô da primeira crise política do governo, que aguardará o posicionamento da Procuradoria-Geral da República a respeito das suspeitas de tráfico de influência por parte do chefe da Casa Civil, antes de divulgar qualquer decisão sobre o caso. A decisão da presidente de aguardar a manifestação da PGR tem dois motivos. Primeiro, se afastar Palocci de imediato, corre o risco de depois ser cobrada por uma atitude "injusta", caso a procuradoria não veja motivos para pedir a abertura de inquérito. E, no caso de a PGR encontrar os indícios, o afastamento de Palocci seria facilitado, sob o argumento de que o governo não quer atrapalhar as investigações.

Há 22 dias, o ministro está sob ataques da oposição e de setores da base aliada por causa de denúncia de enriquecimento ilícito. De 2007 até o fim do ano passado ele multiplicou seu patrimônio por 20 vezes, informação confirmada pelo ministro na entrevista que concedeu ao Jornal Nacional, da TV Globo, de sexta-feira, dia 3, quando pela primeira vez tentou dar explicações públicas sobre sua situação.

No último dia 20, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu esclarecimentos a Palocci sobre o aumento do patrimônio pessoal do ministro. Ao informar que tinha pedido esclarecimentos a Palocci, Gurgel, no entanto, antecipou que não via como crime a prestação de serviços de consultoria. Ele ponderou que o caso poderia ser questionado do ponto de vista ético. A oposição enviou ao procurador duas representações contra Palocci. A partir das respostas do ministro, o procurador irá decidir sobre um eventual pedido de abertura de investigação.

Parte da equipe de Dilma trabalha com a perspectiva de que Roberto Gurgel apresentará sua decisão até quarta-feira, dia 8. Outra parte dos auxiliares da presidente diz que não é possível prever um prazo. Gurgel pode adiar o anúncio de sua posição para as próximas semanas, o que esticaria a crise política vivida pelo governo. Auxiliares da presidente Dilma disseram que ela acertou também com Palocci que os dois tentarão manter uma agenda normal hoje, quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, será recebido no Palácio do Planalto e no Itamaraty.

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