Sanshin é uma palavra de som melódico, pouco conhecida entre os ocidentais. No entanto, dá nome a um instrumento musical capaz de representar a comunidade okinawana em Bauru. Tocado em festas populares em Okinawa, província ao sul do Japão, o som emitido por ele é parecido com o do violão do Brasil, porém, mais estridente.
O instrumento faz a alegria das festas populares da comunidade japonesa e anima, principalmente, pessoas de idade mais avançada. As músicas tocadas e cantadas através do Sanshin, que dispõe de apenas três cordas, em sua maioria, falam de relacionamentos amorosos. Em Bauru ainda ajuda a fortalecer as raízes culturais da comunidade okinawana.
Composto essencialmente por uma caixa acústica forrada com couro de cobra ou de materiais sintéticos, é o instrumento musical mais importante e popular de Okinawa. Sua história soma mais de 4 mil anos.
Criado no Egito, passou pela Índia, China, Japão e Okinawa, e atualmente é tocado no mundo todo, inclusive no Brasil.
As bauruenses Carolina Akemi Oshiro, de 12 anos, e Caroline Naemi Tobaro, de 16 anos, tocam o instrumento há vários anos e impressionam qualquer um por onde passam, esbanjando delicadeza e sensibilidade.
As duas, inclusive, foram classificadas no 17.º Concurso de Músicas Folclóricas de Okinawa, realizado em maio deste ano na Capital paulista. O evento é promovido pela Associação Okinawa Kenjin do Brasil e é dividido em várias fases, que ocorrem anualmente.
Carolina, que toca o sanshin desde os 7 anos, conquistou o primeiro lugar em uma das categorias. Já Caroline, que começou a ter contato com o instrumento desde os 11 anos, garantiu o 5.º posto em outro nível de conhecimento.
Curiosidade
As duas amigas competiram com pessoas do Brasil todo e, no último final de semana, receberam o Jornal da Cidade para contar como surgiu o interesse por este instrumento que, para os brasileiros, é considerado exótico.
"Quando digo que toco o sanshin, as pessoas fazem uma cara de desentendidas, dizem não conhecer o instrumento", conta Caroline.
"Já mostrei e toquei o sanshin para várias amigas que tinham curiosidade em conhecer. Principalmente as que tocam violão ficam curiosas em conhecer e sempre acham bem diferente", comenta.
Caroline e Carolina contam que conheceram o sanshin através de familiares e também por participarem, desde pequenas, do Clube Cultural de Okinawa de Bauru, composto atualmente por 73 famílias. As garotas integram um grupo do clube que toca o instrumento, formado por aproximadamente 18 pessoas, entre crianças, adolescentes, jovens e adultos.
As meninas explicam que já se apresentaram em festivais na região e sempre tocam em eventos realizados no clube.
"É muito gostoso de tocar o sanshin, é um passatempo. Por meio dele, conhecemos muitas pessoas", diz Caroline. Além de tocar, elas também cantam as letras de músicas no idioma de origem.
Todo esse trabalho e dedicação é possível com a ajuda dos professores Norobo Zakabi, Noriyasu Oshiro e Simone Zababi, que vêm de São Paulo uma vez a cada mês para aprimorar o conhecimento das meninas e ensinar novas músicas.
Música também serve como forma de divulgar as raízes do povo japonês
Conforme alegam Carolina Akemi Oshiro, de 12 anos, e Caroline Naemi Tobaro, de 16 anos, tocar sanshin é uma oportunidade de conhecer a cultura de Okinawa, de onde vieram seus ascendentes.
O pai de Carolina, Henrique Oshiro, explica que o instrumento tem um valor relevante, tanto histórico quanto financeiro. "Cada sanshin pode ter mais ou menos valor, dependendo de onde veio, se pertenceu a algum rei... Há instrumentos em São Paulo que valem mais do que uma casa", explica.
No passado, o instrumento era tocado apenas para a nobreza, segundo esclarece Henrique Oshiro. "Com o passar do tempo surgiu o minyo, que é a música popular de Okinawa, e popularizou o sanshin", enfatizou.
O presidente do Clube de Okinawa de Bauru, Seizo Uehara, e o coordenador da entidade, Ieizem Shiroma, elogiaram as talentosas garotas durante a entrevista e afirmaram que as músicas tocadas pelo sanshin ajudam a manter a tradição e fortalecer as raízes culturais da comunidade okinawana da região. "O grupo que toca sanshin em Bauru é o mais forte e conhecido da região", salientaram.