Tribuna do Leitor

Não contavam com minha astúcia


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Reportagem veiculada no Jornal da Manhã, do SBT, em 30 de maio, mostra à população brasileira e aos governantes o quanto uma atitude isolada pode mudar a vida de uma comunidade. Uma merendeira conseguiu, após concluir curso de graduação, ser diretora de escola num local crítico do Rio de Janeiro. Em 2004, com essa instituição de ensino em frangalhos, a ex-merendeira dobrou as mangas e empunhou com astúcia uma verdadeira revolução. Com a conscientização de pais e alunos, aos poucos reformou seu local de trabalho, que atualmente é, segundo a reportagem, referência na região. Não faltam no lugar amor, respeito, carinho e, especialmente, aprendizado.

A grande maioria dos brasileiros assistiu durante oito anos aos mandos e desmandos de "Lulla Lá", intitulando a ele a responsabilidade pelos avanços do país (geralmente com base em números, não em qualidade). Será que não está na hora de pessoas comuns (não-fabricadas), como a diretora dessa escola, subirem ao palco circense chamado Brasil e reformarem a cara de políticos, com óleo de peroba mesmo, e daquilo a que todos chamam de nação do futuro?

O ex-sindicalista (e ex-presidente) não é um verdadeiro herói. Herói, ou melhor, heroína é a ex-merendeira; herói é um pai de família que, nessa avalanche de empregos pelo Brasil, leva para casa míseros R$ 545 e contribui, indiretamente, para os números elevados de postos de trabalho (os mesmos que não consideram o quanto se ganha). Herói é quem batalha com honestidade.

Em uma analogia interessante, talvez Lulla seja tão carismático quanto Chapolin Colorado, considerado por fãs adolescentes e adultos como salvador, que em meio a tantas trapalhadas consegue, com êxito, "defender" os oprimidos e esconder as circunstâncias de seus feitos.

Luiz Felipe T. Erdei

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