Santiago - As cinzas do vulcão que entrou em erupção no Chile no final de semana podem chegar ao Sul do Brasil nos próximos dias. Segundo o meteorologista Flávio Varone, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet-RS), a chuva que está prevista para hoje em todo o Rio Grande do Sul pode vir misturada com fuligem.
A possibilidade das cinzas chegarem ao Rio Grande do Sul também é apontada pela MetSul Meteorologia, com sede no Estado. O risco, porém, não é imediato, de acordo com análise divulgada pelo instituto. Segundo a MetSul, há precedentes históricos de cinzas de erupções no Chile alcançando o RS.
O professor do departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Roberto Cunha explica que o fenômeno ocorre devido às correntes de vento na atmosfera, que podem trazer as cinzas junto com a umidade. Para Cunha, a chegada das cinzas, se ocorrer, também deve ser pouco perceptível.
O complexo vulcânico Puyehue está localizado no sul do Chile e entrou em erupção no fim de semana. Autoridades chilenas decretaram alerta máximo nas regiões próximas ao vulcão e pessoas tiveram que deixar suas casas. Ainda no sábado, a nuvem de cinzas também chegou a Bariloche, na Argentina, a 100 km do vulcão.
O Chile possui a segunda maior cadeia vulcânica e de maior atividade no mundo, depois da Indonésia.
Os raios atmosféricos observados ontem no complexo vulcânico Puyehue, no sul do Chile, foram causados pela própria fumaça da erupção. "As emissões de vulcões jogam uma enorme quantidade de partículas na atmosfera", disse Paulo Eduardo Artaxo, especialista da USP em física atmosférica. "Se essas partículas estiverem eletrificadas, podem provocar gigantescas descargas elétricas em contato com a atmosfera."