As polícias Civil e Militar estão no encalço do assaltante que está tirando a roupa e o sono dos bauruenses nos últimos dias. Após várias ocorrências de roubos nos quais as vítimas são deixadas nuas, o policiamento foi intensificado nas regiões onde os crimes foram registrados. Apesar dos delitos recentes, de acordo com o arquivo do Jornal da Cidade o bandido está agindo na cidade há mais de um mês .
Segundo o comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, o perfil do suspeito difere daquele comumente encontrado na criminalidade.
"No mundo do crime não há ética, porém, existem códigos. Um desses códigos é não humilhar a vítima e é isso que vem ocorrendo. Por isso temos suspeitas de que o ?ladrão da cueca? não é um desses ?bandidos profissionais?. Ele pode, inclusive, receber represálias dos outros criminosos pelo que vem fazendo", afirma Garcia.
Para o tenente-coronel, a suspeita é de que se trate de uma pessoa - ou pessoas - jovem e que, além de roubar, pretende denegrir a imagem das vítimas.
Em relação ao policiamento nas ruas Henrique Savi, Monsenhor Claro e na região do Aeroclube - onde os casos foram registrados -, o comandante afirma que a vigília já foi intensificada e aponta até mesmo a presença de policiais à paisana.
"Redistribuímos as viaturas em toda a região para tentar coibir a ação do bandido e prendê-lo. Estamos empregando ainda policiais do setor de inteligência à paisana", complementa.
O delegado seccional da Polícia Civil de Bauru, Benedito Antônio Valencise, afirma que as investigações estão avançadas para tentar identificar o suspeito. "Já sabemos o modo como ele age e, baseado nas descrições das vítimas, já traçamos um perfil. Esperamos pegar esse suspeito em breve".
Apesar das diferenças nos assaltos - alguns foram cometidos por um indivíduo e outros por uma dupla -, Valencise acredita que os ladrões sejam os mesmos. "Estamos investigando se é uma pessoa ou mais. Trabalhamos com a hipótese de que, em determinados casos, os assaltantes estejam efetuando o roubo em dupla e, em outros, um deles fica vigiando. Porém, acreditamos que sejam os mesmos em todos os crimes", completa o delegado.
Não reagir
Benedito Valencise afirma que há um boato de que os ladrões utilizem um simulacro de arma de fogo, porém, ressalta que não há qualquer fato que comprove o fato nas investigações. "Alguns estão dizendo que a arma é de brinquedo. Não temos nada em relação a isso. Portanto, caso abordada, a pessoa não deve reagir em hipótese alguma".
O tenente-coronel Nelson Garcia alerta ainda que o local mais preocupante é a rua Henrique Savi pela deficiência na iluminação. "A população deve evitar andar pela via. É preciso procurar ruas mais iluminadas. A Nações Unidas tem mais luz e mais movimento. É uma boa alternativa. Os moradores da Henrique Savi também podem ajudar fazendo podas nas árvores, o que dificulta o marginal se esconder", aconselha.
Primeiro roubo ocorreu em abril
Apesar das ocorrências recentes, uma pesquisa no arquivo do JC revela que o "ladrão da cueca" está agindo em Bauru desde o final de abril. No dia 30 do mês em questão, um grupo de quatro jovens, com idades entre 14 e 17 anos, já havia sido vitimado também na quadra 11 da rua Henrique Savi.
Na ocasião, após levar cinco celulares e cerca de R$ 20,00, os adolescentes foram conduzidos até as proximidades da linha férrea, onde foram deixados apenas de cueca.
Cerca de 20 dias depois, o caso reapareceu quando um estudante de 15 anos também sofreu roubo semelhante na rua Monsenhor Claro, próximo ao Hospital de Base. Armado de pistola, um indivíduo obrigou o rapaz, que estava a caminho de uma academia no Altos da Cidade, a entrar em um matagal e a ficar nu. Neste episódio, a vítima ainda foi obrigada a pular de uma ponte, com altura em torno de cinco metros.
O último roubo ocorreu anteontem por volta das 21h nas imediações do Aeroclube. Na ocasião, um jovem de cerca de 20 anos foi abordado pelo criminoso com uma arma de fogo e, depois de entregar o celular e a carteira, também teve toda a roupa levada.
Um dia antes, um jovem transitava pela quadra 12 da rua Henrique Savi quando foi rendido por dois criminosos que levaram suas roupas e pertences. Na última sexta, a uma quadra desse roubo, quatro adolescentes, entre 14 e 16 anos, foram assaltados e também ficaram sem as próprias vestes, roubo bastante semelhante ao registrado no final de abril.