Política

Particulares invadem guias e calçadas

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

De acordo com a lei das calçadas, os estabelecimentos comerciais podem reservar apenas 50% de suas fachadas para estacionamentos privativos a clientes, com guias rebaixadas. Para isso, porém, deve haver obrigatoriamente um recuo de, no mínimo, 4,5 metros entre o passeio público e a área de construção do imóvel, espaço reservado para o estacionamento dos carros de clientes. Guias rebaixadas em esquinas são proibidas pela legislação de trânsito.

Essa regra, porém, é desrespeitada em muitos pontos da cidade. Apenas na rua Antonio Alves, foram vários os exemplos apontados pela verificação realizada conjuntamente entre o vereador José Roberto Segalla (DEM) e o secretário municipal de Planejamento (Seplan), Rodrigo Said ontem.

Na quadra 20 da Antonio Alves, dois estabelecimentos vizinhos escancaram o problema. Em um deles, metade da guia da fachada foi reerguida. No outro, porém, a irregularidade persiste. No momento da reportagem, inclusive, um carro estava estacionado em uma dessas vagas privativas na posição diagonal, ocupando ainda mais espaço.

José Segalla, no entanto, constatou que, mesmo o estabelecimento que reergueu parte da guia não poderia oferecer estacionamento privativo por não contar com recuo mínimo de 4,5 metros. O mesmo problema foi constatado, logo adiante, na quadra 23 da mesma Antonio Alves e em diversos outros pontos da cidade.

Rodrigo Said apontou outro problema. Alguns estabelecimentos reservam 50% de suas fachadas para guias erguidas, mas não cumprem o objetivo de contribuir com o aumento de vagas públicas de estacionamento. "Os proprietários erguem as guias de forma fracionada e os espaços não são suficientes para um veículo estacionar. Esse é outro ponto da lei que precisamos revisar para deixar a redação mais clara a respeito disso", afirmou, ao constatar a situação na quadra 22 da rua Gustavo Maciel.

Já na quadra 13 da Azarias Leite, a reportagem, na companhia do vereador e do secretário do Planejamento, conversou com o empresário José Roberto Gabriel, que reergueu a guia de seu escritório após notificação da Seplan.

"Para o empresário, não é tão bom, mas a falta de vagas é um problema que nós sentimos quando queremos estacionar em outro ponto da cidade. Na verdade, eu constatei a necessidade da mudança no meu estabelecimento quando eu mesmo não consegui passar pela calçada quando uma cliente estacionou uma caminhonete na antiga vaga privativa", relatou.

Nesse caso, porém, o vereador Segalla constatou que a pintura da guia de amarelo foi uma medida de iniciativa do próprio empresário, o que é proibido. José Roberto Gabriel, por sua vez, reivindicou acessibilidade para deficientes na frente do seu estabelecimento, mas foi lembrado pelo secretário que essa providência cabe aos proprietários dos imóveis.

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Seplan enumera dificuldades e promete ampliar a fiscalização


O secretário do Planejamento, Rodrigo Said, explanou ao JC que, apesar das dificuldades na fiscalização da lei das calçadas, por conta do tamanho da cidade e da falta de experiência de alguns profissionais contratados há pouco tempo, o trabalho vem sendo executado pela pasta.

Ao todo, são de 30 a 35 fiscais trabalhando nas ruas, sendo que 13 deles se dedicam exclusivamente às obras. Said aponta que, de 1.º de janeiro a 31 de maio desse ano, a Seplan fez 950 notificações por ofício, 688 notificações presenciais, 72 autuações e nove embargos em obras.

Além disso, em apenas uma tarde, os fiscais da prefeitura recolheram 25 placas de publicidade e 21 placas luminosas instaladas indevidamente no Centro e na Zona Sul de Bauru. Em relação à ocupação irregular de bares nas calçadas, foram recolhidas 32 cadeiras e 11 mesas.

Segundo Roberto Segalla, é fundamental que a lei seja aplicada a todos para que não seja causado sentimento de revolta em parte da população. "Não é certo que um sujeito que tenha tido recolhida a placa de publicidade de seu estabelecimento e veja outro comerciante com tal placa sem receber qualquer punição", pontuou.

Para resolver a situação, a solução apontada pelo vereador é a modernização do trabalho dos fiscais para que possam trabalhar em menos tempo. "O ideal é que eles atuem com o auxílio de máquinas fotográficas e gravadores, o que agilizaria o processo", afirmou Segalla.

Ambos classificaram como positivo o ?tour? realizada ontem a fim de que esse seja mais um passo dado em conjunto para que a situação seja resolvida e a lei possa ser cumprida.

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Obstáculos "expulsam" pedestres


Calçadas em mau estado não são problemas apenas dos bairros de Bauru. O vereador José Roberto Segalla fez questão de mostrar algumas evidências acerca dessa constatação em plena região central, como acontece nas avenidas Rodrigues Alves e na Duque de Caxias.

Além disso, são muitos os casos de obstáculos instalados irregularmente no passeio público, como placas, faixas e até montes de areia, utilizados em construção, que além de dificultar a passagem nas calçadas, podem entupir bueiros após a incidência de chuvas.

Algumas irregularidades foram apontadas à reportagem, como uma placa na quadra 34 da rua Antonio Alves e, de forma explicitamente irregular, uma faixa com anúncios de promoção em frente a um bar, localizado na Gerson França, no Jardim Estoril, quase na confluência com a avenida Comendador Martha. Para piorar a situação, a faixa estava afixada em uma placa de trânsito da calçada.

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Divergência sobre a aplicação


Em relação às guias rebaixadas, José Segalla e a administração possuem entendimentos diferentes quanto ao cumprimento da legislação. Para Rodrigo Said, ela só deve ser aplicada aos imóveis construídos após a entrada em vigor da lei, em 2009.

O vereador, porém, acredita que a norma deve valer para todos. "Não existe direito adquirido diante do direito público. O secretário precisa entender que não é advogado dos comerciantes. A prefeitura precisa fazer a notificação e os empresários que procurem os meios para se defender", explicou Segalla.

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