Articulistas

Sinais guiando para lugar nenhum

Otavio Augusto Amaral de Calmon Borges
| Tempo de leitura: 3 min

Absorto em minha reles concepção de moral e observando os últimos acontecimentos que estampam as manchetes dos jornais e os que são assunto nas conversas informais, sinto vergonha de ser classificado como humano. Necessito escrever em primeira pessoa por se tratar de um lamento íntimo, o qual quero compartilhar e deixar clara minha indignação. Outrossim, acredito que muitos hão de concordar comigo. A violência urbana, infelizmente, é algo que já faz parte de nosso cotidiano e, amiúde, é acrescida de ingredientes que aumentam meu espanto e incitam-me a ira extrema. Antes de expor alguns exemplos, quero deixar claro que não consigo (e não quero) entender porque um animal tido como "racional" é capaz de cometer tantas barbáries com seus semelhantes.

No JC de 24/05/2011, a primeira página trouxe a notícia de que, em São Manuel, uma idosa fora covardemente agredida por duas mulheres. Coincidências e evidências à parte, são duas viciadas em drogas. É simplesmente inconcebível chamar essas criaturas de "racionais". A Justiça tem que mudar essas leis que tanto protegem os marginais e acabar, de uma vez por todas, com essa concepção errônea que viciado em drogas não é bandido. Fumar um baseado de vez em quando nem tanto, mas o vício cria bandidos. A utilização de entorpecentes interfere direta e indiretamente no comportamento monstruoso de algumas pessoas, uma vez que podem estar alteradas pelo efeito da droga ou pela abstinência dela.

Que tipo de gente tem escrúpulos tão inativos a ponto de torturar uma senhora de quase 90 anos? O pior é que uma das agressoras tem apenas 15 anos. Tão parva e tão irresponsável que até a nossa falha legislação atenua sua culpa. Com essa idade, nossa debutante não ficará muito tempo longe do convívio social. Isso faz meu sangue ferver nas veias, uma vez que criminosos são tratados como incapazes de se responsabilizar pela própria covardia, amparados, em partes, pela lei a cometerem livremente suas atrocidades.

Um caso de outra natureza, mas igualmente revoltante ocorreu na noite do dia 23 para 24 último. Existe, em Bauru, um consultório odontológico que tem uma unidade móvel, que atende diversas escolas da cidade e da região. Dentre elas, um colégio na cidade de Piratininga. Essa unidade, para ter mais funcionalidade e não perder muito tempo nem dinheiro com locomoção, funciona em um trêiler e fica estacionada alguns dias num local próximo ao colégio atendido. Ocorre que, na referida data, um vândalo quebrou as lanternas traseiras do trêiler usando uma espécie de clava. Um puro ato de humanidade! Só os humanos destroem bens alheios sem motivo. O prazer causado por levar a dor e/ou o sofrimento a outrem é exclusivo dessa classe de mamíferos.

A consequência dessa atitude pode ser prejudicial a muitas pessoas. Danos materiais compõe gastos e dor de cabeça, mas não são tão difíceis de serem sanados. Mas e os danos psicológicos? E se os profissionais dessa unidade se sentirem amedrontados e deixarem de ir àquela escola? Centenas de crianças serão prejudicadas pela atitude injustificada desse(a) imbecil. No meu âmago, gostaria muito que a pessoa que fez isso lesse esse texto e tomasse ciência e se conscientizasse da estupidez que cometeu. Mas tratando-se de alguém que executou ato tão repugnante, duvido que tenha o hábito da leitura.

Por fim, fico envergonhado de pertencer à mesma espécie desses monstros. É triste a constatação de que pessoas de bem são biologicamente idênticas a esses cretinos. Atitudes completamente desprovidas de lógica tornam a raça humana a mais desprezível e irracional de todo o reino animal. Com toda a minha indignação já exposta evito comparações com esse tipo de gente e me coloco na condição de primata.

O autor, Otavio Augusto Amaral de Calmon Borges,professor e servidor público municipal

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