Regional

Empresas de caçambas fecham área de entulho em protesto em Botucatu

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu ? Treze empresas que prestam serviço de recolhimento de entulhos bloquearam a área do bolsão no distrito de Rubião Júnior que recebe todo o descarte de material de construção de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) em protesto contra a proibição de jogar galhos e restos de madeira.

A paralisação começou a partir das 14h de anteontem e permaneceu durante todo o dia de ontem. Cerca de 800 caçambas espalhadas pela cidade não tinham sido recolhidas e vão ficar na via pública, enquanto permanecer a manifestação.

Os caminhões bloqueiaram a área do bolsão e impedem que o local seja utilizado para o descarte dos restos de entulhos de material de construção.

A Cetesb notificou a prefeitura para que os galhos e outros objetos não sejam lançados no bolsão.

A prefeitura também estava destinando material de forma irregular na área, mas decidiu segunda-feira atender a determinação, informa a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

José Antonio Fernando Inocente, o "Zezito" dono de uma empresa e líder do protesto, culpa a prefeitura de não disponibilizar uma área para destinar os galhos de poda de árvore e outros objetos que vêm misturados aos entulhos. "Fizeram uma lei na calada da noite, sem ninguém saber, sancionada pelo prefeito (João Cury). Agora, o material recolhido por caçamba é de responsabilidade das empresas a destinação dos galhos também. É uma lei absurda", afirma Inocente.


Após a aprovação da lei, a prefeitura de Botucatu teria prometido dar apoio se as empresas criassem uma associação."Licenciamos uma área grande, criamos a associação e havia a promessa da prefeitura ajudar com máquina para a compactação dos entulhos. Não deram nada disso, tivemos que alugar máquina. A Polícia Ambiental apareceu no bolsão e multou em R$ 230 mil. Depois de tudo, a secretária do Meio Ambiente foi lá e proibiu que jogue galhos. Só pode entulho e terra, mas não destina área para os galhos", declara.

"Zezito" reclama que não dá para criar uma estrutura do dia para a noite que possa dar destinação adequada ao material que vem misturado aos entulhos. "Não dão estrutura, mas a prefeitura entende que a gente tem que se virar baseado nessa lei que o prefeito mandou para a Câmara e os vereadores aprovaram", afirma.

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Secretária de Meio Ambiente nega

lei aprovada ?na calada da noite?


A secretária municipal de Meio Ambiente, Cynthia Zanotto Salvador, negou ontem que a administração do prefeito João Cury (PSDB) aprovou uma lei na "calada da noite", como os "caçambeiros" acusam a administração pelos transtornos causados pela proibição de destinar galhos misturados aos entulhos de material de construção no bolsão mantido pelas empresas.

Ela afirma que a lei que regulamenta as atividades das caçambas é de 18 de abril de 2002 da gestão Mário Ielo (PT) e na atual administração houve lei complementar 6.065, de 25 de outubro de 2009, que regulamentou as atividades. No artigo 4º da lei é que consta a responsabilidade das empresas prestadoras de serviço individualmente ou coletivamente no descarte do material inservível e restos de material de construção, disse a secretária.

Ela admitiu que a prefeitura agia errado por ter destinado galhos no bolsão, mas após receber advertência da Cetesb na última segunda-feira, a administração providenciou o envio provisório de todo o material recolhido de poda de árvore à área do Viveiro Municipal. "Essa área é pequena, mas atende provisoriamente até encontrarmos um novo terreno. Pretendemos oferecer provisoriamente a futura área às empresas de caçambas até providenciarem licenciamento de outra área para a destinação de galhos e outros objetos inservíveis", declarou.

A secretária afirma que a atitude das empresas prejudica a operação de descarte, porém não é de responsabilidade da prefeitura. "A área bloqueada é particular, cabe ao dono tomar providência".

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