Geral

Semana dos Namorados: Um amor a 10 mil km de distância

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Nem a barreira do idioma, nem as diferenças culturais, nem a distância de mais de 10 mil quilômetros. Nada fez os estudantes universitários Thaís De Matteis, 26 anos, e Ralph Böhnel, 35 anos, desistirem da relação, que já dura um ano e meio.

Nascido na Alemanha, Ralph vive no município de Regensburg, 500 quilômetros ao sul da capital Berlim. Thaís mora em Bauru e conheceu o namorado pela Internet, em um jogo online de RPG (Role-Playing Game), da maneira "mais nerd possível", como ela mesma descreve.

Mas o que parecia ser apenas distração e entretenimento se transformou em caso sério. Em agosto do ano passado, Ralph veio até o Brasil para conhecer a amada e eles passaram três semanas juntos. "Como moro sozinha, tivemos uma vida de casados neste período. Muita gente achou loucura, mas pude comprovar que ele era tudo o que eu esperava. Aliás, mais do que eu esperava", derrete-se Thaís.

Nos primeiros contatos estabelecidos pela rede mundial de computadores, os personagens virtuais vividos por Thaís e Ralph se comunicavam apenas informalmente, por codinomes, através de uma ferramenta de bate-papo disponível para os jogadores online. "Mas, conforme os dias foram passando, começamos a descobrir uma série de afinidades, gostos e modos de pensar em comum", acrescenta a estudante.

Com a ampliação do interesse mútuo, cerca de um ano depois, eles passaram a interagir também em um programa de mensagens instantâneas e, logo em seguida, por webcam. Na época, Thaís terminou um relacionamento "de carne e osso" para viver aquela relação à distância, que nem namoro ainda era.

"O mais engraçado é que, dois dias depois, ficamos uma madrugada inteira, durante oito horas, conversando por voz e decidimos namorar", relembra. Mesmo vivendo tão longe, ela conta que não mantém um relacionamento aberto com Ralph e, assim como os namorados ditos "normais", não admite a possibilidade de o companheiro sair com outras pessoas. "Seria traição", destaca a estudante.

Mãos dadas


A falta de contato físico, aliás, é uma das principais dificuldades enfrentadas pelo casal, na avaliação de Thaís. Por mais que mantenham o hábito diário de conversar por pelo menos meia hora pelo computador, a ausência do abraço, do beijo e até mesmo de um passeio de mãos dadas é um peso a ser carregado.

"Mas, por outro lado, não vivemos o desgaste da rotina que afeta outros casais no dia a dia. A distância faz com que a gente sinta saudades. Aquela vontade de ter a pessoa perto é permanente", pondera a estudante, garantindo que ciúme e desconfiança não têm espaço dentro do relacionamento. "E nem poderia ter, porque o namoro não sobreviveria. Acreditamos muito no que um sente pelo outro", observa.

Como Thaís não fala alemão, adotou o inglês como idioma para comunicar-se com Ralph. Ela, entretanto, conta que tenta vez ou outra ensinar a ele alguma palavra em português. Mas, como o casal já faz planos de construir uma vida juntos nos próximos anos, Thaís está estudando alemão em casa e, no próximo semestre, pretende matricular-se em um curso de línguas.

No final do ano, quando irá formar-se em jornalismo, pretende morar na Alemanha. Antes disso, em agosto, Ralph virá novamente a Bauru para reencontrar a namorada.

"A gente se gosta muito. Do mesmo modo que ele vem me visitar no Brasil, vou para a Alemanha por acreditar nesta relação. Vai ser um teste para ver se a gente dá certo como tem sido à distância", analisa. Se tudo correr como o esperado, a intenção é formalizar a união para que possam viver legalmente juntos na Europa.

____________________

Preconceito


Além da distância que atravessa o Atlântico, Ralph e Thaís tiveram de enfrentar o preconceito por terem se conhecido pela Internet. A estudante conta que, quando decidiu namorar o alemão sem conhecê-lo pessoalmente, amigos e parentes "torceram o nariz" e não apoiaram a relação.

"Quando ele disse que viria ao Brasil, no ano passado, minha mãe ficou preocupada, não achava uma boa ideia eu trazer um desconhecido para a minha casa", lembra. A resistência fez com que Thaís, que sempre se entregou sem medo a relacionamentos anteriores, ficasse receosa.

"Cheguei a cogitar a possibilidade de que algo daria errado mas, no fundo, sabia que eu não tinha motivos para temer. Quando o Ralph veio (a Bauru) e conheceu meus pais, conseguiu mostrar a pessoa boa que ele é. Depois disso, todos ficaram mais tranquilos", comenta.

Comentários

Comentários