A suíça Marcela Caballero, chefe de gestão de contas do Nussli Group, empresa da Suíça que desenvolveu conceitos flexíveis e sustentáveis para grandes eventos e é uma das pioneiras na elaboração do conceito modular de estádio para Jogos Olímpicos e Copas do Mundo, e o engenheiro-arquiteto alemão Ralf Amann, membro do escritório GMP, que desenvolveu obras como o Estádio Ninho do Pássaro para as Olimpíadas de Pequim-2008 e a restauração do Estádio de Berlim para a Copa de 2006, deram palestra, ontem à tarde, na Fundeb, câmpus da Unesp de Bauru, onde apresentaram e discutiram soluções para instalações em eventos esportivos.
O trabalho integrado das duas empresas busca deixar legados para as cidades sediantes e evitar o desperdício de dinheiro e o surgimento de "elefantes brancos" após os eventos com base em instalações temporárias. Um dos fatores fundamentais apontados é a planificação das futuras instalações. "A parte de planificação leva mais tempo que o da construção. Quanto mais tempo passa, mais são os gastos porque tem-se que correr. Quando se pensa antes, pode-se escolher com tempo quem são os melhores construtores e provedores de tudo que se vai necessitar durante esta construção", explica Caballero.
De acordo com Caballero, após uma análise da capacidade já existente na cidade, faz-se uma estrutura permanente do que poderá ser utilizado após o evento e tudo o que vai ser usado somente pela competição será temporário. "Isso evita gastos desnecessários e adicionais e evita o que se chama de elefante brancos", comenta.
Caballero dá ainda as dicas para Bauru sobre o projeto da cidade para receber delegações na fase de ambientação para as Olimpíadas-2016 e de ser sub-sede da Copa do Mundo de 2014. A palavra-chave, mais uma vez, é planificação e o primeiro passo é ter um conceito do que já existe e do que será necessário. "Com base nisso, se realiza uma planificação das construções adicionais. A fase de planificação é muito importante, de conversação da cidade com o comitê organizador. E saber qual o conceito que se tem", destaca, alertando que é preciso fazer uma análise de quais esportes podem utilizar instalações temporárias. "É importante ter um conceito já pensado e bem definido antes de se apresentar em um pré-olímpico ou evento internacional", declara.
Amann afirma que o sistema de construção modular se encaixa perfeitamente neste conceito de legado e economia. "O sistema modular é muito flexível, versátil e muito rápido para construir. Diminui os custos de um estádio fixo. Então, representa justamente aquilo que uma cidade precisa para sediar jogos temporários", observa. O engenheiro lista as vantagens do sistema modular. "Em um sistema modular sempre dá para estender a construção, mudar, fazer outras configurações e usar parte da arquibancada em outro lugar. Dá para acrescentar facilidades, como quiosques, por exemplo, também modulares. É um sistema muito flexível", elogia.
O engenheiro afirma que o sistema modular também pode ser usado para reformar parcialmente instalações esportivas já existentes, mas vê limitações no procedimento. "Sempre depende dos requerimentos e do que pretende-se fazer no local e também das exigências da própria Fifa e do clube e também do legado posterior", conclui.