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Semana dos Namorados: Tinha uma pedra no meio do caminho...

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

No meio do caminho de Antônio Carlos da Silva Barros, 47 anos, e Regina Célia dos Santos Nunes Barros, 43 anos, tinha uma pedra. Mas ela foi retirada com a força do amor. Por motivos distintos, eles deixaram de seguir a carreira de frei e freira, se apaixonaram, casaram e hoje têm três filhos. Nenhum dos dois achava que possuía "vocação" para constituir família. Regina não tinha planos de se casar e ser mãe. Antônio Carlos nunca se imaginou marido e pai.

Regina, filha de família tradicional e mãe muito religiosa, queria mesmo ser freira. Antônio Carlos, filho mais velho, cuidava da sua família, zelava pelos irmãos, cursava o ensino médio e estudava para ser frei.

Regina não pôde seguir adiante com os seus planos porque, como seus pais não eram casados na igreja, ela não podia ser freira, uma exigência da Igreja Católica. Coincidentemente ou não, os planos de Antônio Carlos também não seguiram em frente. Ele ainda precisava ajudar a família e decidiu primeiro terminar o ensino médio.

Então, os dois, que ainda não se conheciam, tornaram-se catequistas na Paróquia Santo Antônio, em Bauru. Foi lá que se conheceram. Entre eles começava a nascer o amor.

"O que me chamava a atenção no Toninho é que ele era muito inteligente e carinhoso, mas era muito tímido", conta Regina, aos risos.

Com a ajuda dos amigos, ouvindo conselhos e o próprio coração, eles descobriram que, enfim, estavam apaixonados. E em plena adolescência, no ano de 1982, começaram a namorar.

"Eu nunca imaginei que iria me apaixonar nesse período. Não foi fácil administrar o sentimento quando eu pensava em ser frei. Mas pedi conselhos aos amigos e descobri o que era esse sentimento", conta Antônio Carlos.

Enfrentando famílias


No início de um namoro nem tudo é tão simples como parece, até porque, por mais que não pareça, as pessoas são muito diferentes.

E como em todo relacionamento, o de Regina e Antônio não foi tão bem aceito como deveria. Principalmente pelo pai dela, que não aceitava que a filha, de cor branca, namorasse um negro.

"É claro que ficamos chateados com a situação, mas o pai da Regina teve outra criação, então, entendemos isso e não discutíamos com ele. Encaramos juntos com naturalidade. Hoje nós falamos: se ele visse os netos dele, nossos filhos, ele se apaixonaria", acrescentou Antônio. Já os pais de Antônio encararam com mais tranquilidade a situação.

O casal namorou por dez anos, entre 1882 e 1992. Infelizmente, no último ano do namoro, o pai de Regina veio a falecer.

"Ele sofreu um aneurisma e acabou batendo o carro em um poste. Morreu na hora. Depois que ele faleceu, nós resolvemos nos casar", disse Regina.

Nestes dez anos de namoro, o casal aproveitou para impulsionar os estudos. Regina formou-se em letras e pedagogia. Antônio em direito, história e ainda encarou um exigente mestrado.


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Pai, mãe e 3 filhos


Após dez anos de namoro, Antônio Carlos da Silva Barros e Regina Célia dos Santos Nunes Barros se tornaram um "casal oficial". Ainda jovens, porém muito maduros.

Apesar das curvas sinuosas e bifurcações que passaram pelos caminhos da vida de ambos, após três anos eles queriam mesmo era aumentar a família. Então nasceu Mateus, que significa "presente ou dom de Deus".

"Eu nunca achei que tinha vocação para ser mãe. Mas depois que nos casamos, éramos apenas um casal. Quando o Mateus nasceu, aí sim nos tornamos uma família", revelou Regina. Depois de Mateus, que hoje tem 15 anos, vieram a Amanda, "amada por Deus", 13 anos, e Pedro, "o forte", 11 anos. Hoje, a vida corrida do casal, ela diretora de escola e ele professor e coordenador da Comissão de Negros da Subseção da OAB-Bauru, sempre deixa espaço para o convívio em família.

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