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Rios da região: perda de matas é igual a 23 mil campos de futebol

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Imagine um campo de futebol. Agora, multiplique a visão mental desta imagem por 23,5 mil. Esta é a área de mata ciliar destruída ao longo das últimas décadas nas bacias hidrográficas dos rios Tietê/Batalha e Tietê/Jacaré, onde Bauru está inserida. Na prática, significa dizer que desde que a região foi ocupada, mais de 42,477 milhões de árvores às margens de rios e afluentes foram derrubadas.

De uma extensão de mais de 32 mil hectares - cada um deles com tamanho aproximado de um campo de futebol -, apenas 21,42% de vegetação original foi preservada. Do restante que sofreu drástica intervenção humana, 15,94% vem se recuperando nos últimos anos, principalmente por meio de ações de organizações não-governamentais (ONGs) e poder público e do avanço da fiscalização sobre as áreas exploradas irregularmente.

Os números, divulgados nesta semana, integram o mapeamento realizado pelo Instituto Ambiental Vidágua de Bauru para detectar as condições em se encontram as margens de aproximadamente 150 rios, córregos e ribeirões inseridos em 79 municípios paulistas. Intitulado "Atlas Regional 2011", o estudo esmiuça a situação atual das chamadas Áreas de Preservação Permanente (APPs) e traça planos de ação para que parte considerável destes trechos seja reflorestada nos próximos 20 anos.

Degradação


Nas imagens de satélite captadas pelos pesquisadores, é possível observar o quanto estas faixas de terra - de 100 metros de largura às margens do Tietê e 30 metros nos demais rios e afluentes - foram degradadas, mesmo com legislação federal vigente desde 1965, que impôs a obrigatoriedade da conservação desta vegetação nativa. Seja pelo avanço das cidades sobre as áreas rurais ou pelo aumento da atividade agropecuária sem a devida obediência às normas estabelecidas, estas matas primitivas, atualmente, se resumem a pouco mais de um quinto da área que deveria ter sido protegida.

"Grande parte destas áreas foram ocupadas por pastagens, agricultura ou por loteamentos que ainda não foram consolidados e, portanto, podem ser reintegradas à natureza. Somente um pequeno percentual é ocupado por estradas, indústrias ou outras edificações e que não pode mais ser recuperado", detalha o coordenador de projetos do Instituto Ambiental Vidágua, Clodoaldo Gazzetta.

Segundo ele, esta é a primeira vez que um levantamento desta magnitude envolvendo as APPs das duas bacias é realizado. A partir das informações colhidas, a ideia é que cada município possa estabelecer metas de recuperação para evitar que estas áreas sejam completamente extintas.

"Se este quadro não for revertido, a população irá sofrer com desabastecimento ou redução na qualidade da água, já que os rios, cada vez mais assoreados pela falta de mata ciliar, acabam morrendo", comenta.

Além de prejudicar o homem, a destruição da vegetação nativa também causa danos à fauna e à flora. De acordo com o estudo, a bacia Tietê-Jacaré abriga 469 espécies de plantas e 427 tipos de animais, dos quais 14 estão quase ameaçados de extinção. Já na bacia Tietê-Batalha, foram localizadas 122 espécies de plantas e 189 variedades de animais, dos quais três estão praticamente sob ameaça de extinção.


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Saiba mais sobre o estudo


Sob o nome de "Plano Estratégico de Avaliação da Situação Ambiental das Áreas de Preservação Permanente (APPs) das Bacias Hidrográficas dos rios Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha", o "Atlas Regional 2011" demandou um ano para ser concluído. Ao todo, foram investidos R$ 240 mil para a contratação de uma equipe de pesquisadores com experiência no assunto. Os recursos foram obtidos junto ao Fundo Estadual dos Recursos Hídricos (Fehidro) e aos comitês de ambas as bacias.

Inicialmente, foram captadas imagens aéreas por meio de técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto. Após a análise inicial, realizada em laboratório de cartografia, os pesquisadores iniciaram uma ampla checagem de campo de pontos amostrais, com o objetivo de identificar áreas críticas e esclarecer dúvidas sobre a interpretação inicial das fotografias.

Após o mapeamento e as estatísticas geradas por meio de um programa de computador, foram delimitados planos de ação para cada um dos 76 municípios participantes.

Segundo o coordenador de projetos do Instituto Ambiental Vidágua, Clodoaldo Gazzetta, o plano poderá ser um importante instrumento de gestão e formação de políticas públicas ambientais, já que traz projeções estratégicas para recuperação gradativa das áreas de preservação permanente, incluindo a quantidade em hectares de remanescentes conservados e possíveis medidas para protegê-los, porcentagem de áreas de APPs em situação de risco, com estabelecimento de ações de curto, médio e longo prazos.

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