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Mulher emancipada mudou relacionamento

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

"E a gente vive junto, e a gente se dá bem, não desejamos mal a quase ninguém. E a gente vai à luta e conhece a dor, consideramos justa toda forma de amor". A letra da canção do cantor e compositor Lulu Santos, "Toda Forma de Amor", expressa o que já há algum tempo a sociedade considera como regra básica: desde que haja amor, toda forma de relacionamento é valida. Independentemente da idade, orientação sexual ou nível social, namorar é permitido para todos. E, sem fórmula ou regra estabelecida, os casais são livres para encontrar seu "jeitinho" de fazer a relação dar certo.

Na geração dos vovôs e vovós, o namoro tinha o casamento como seu objetivo primordial, ou seja, namorava-se para casar. Não que hoje os pombinhos apaixonados não pensem em usar aliança na mão esquerda e dizer "sim" diante de uma celebração religiosa ou civil, mas o casamento deixou de ser o principal motivo do namoro quando o companheirismo e a relação afetiva passaram a não ser exclusividade do enlace matrimonial.

Se antes o limite para os namoros era o portão de casa, hoje os jovens são mais livres e até ganham o apoio dos pais para dividirem o mesmo teto antes de oficializar a relação. Outra mudança de comportamento está nos casais da terceira idade que, muitas vezes viúvos, permitem-se namorar novamente. Casais compostos por pessoas do mesmo sexo e marido e mulher que vivem em casas separadas são apenas mais exemplos das diferentes formas dos relacionamentos atuais.

E se o tempo muda os padrões das relações afetivas, a tecnologia também transforma a paquera e o jeito de namorar. Os bilhetinhos e cartas, por exemplo, deram lugar aos e-mails e torpedos de amor. Se, no passado, o telefone era a forma mais próxima de um casal se relacionar à distância, hoje, a Internet possibilita ver a pessoa amada enquanto se fala pelo computador. Mas, como se deu a evolução do amor e das formas de namorar?

Para o professor de filosofia e antropologia do Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb) Ivan José Abel, as mudanças ocorridas no namoro ao longo dos tempos acompanharam a revolução sexual das décadas de 1950 e 1960. "Junto com os novos estilos musicais, como o rock and roll, por exemplo, vieram os mitos que influenciaram os jovens com o novo modo de cantar, dançar e se expressar".

Outro ponto transformador observado pelo professor é o cinema, que seduziu o público jovem com novos estilos de relacionamentos, onde a mulher deixou de ser apenas polo passivo no cortejamento e assumiu suas vontades a fim de fazer valer seus desejos.

Assim, Elvis Presley e James Dean, entre outros astros, serviram de modelo para a juventude na descoberta de sua autonomia e independência dos pais. E aquela ideia do namoro como preparação para o casamento desapareceu aos poucos e (o namoro) passou a subsistir por si mesmo, como se tivesse vida própria. Não mais atrelado ao casamento, o namoro se prolongou no tempo, sem ter de se fixar a uma fase ou etapa da vida, como por exemplo a adolescência ou juventude.

"Por outro lado, o viés romântico, antes supervalorizado, deu lugar mais ao envolvimento sexual. Não que isso seja uma regra, mas serviu de suporte para uma moral que é dominante nos dias de hoje", finaliza o professor Ivan.

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