Tribuna do Leitor

Andar de ônibus circular, um exercício de cidadania


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Não acho ruim utilizar o transporte coletivo. E utilizo diariamente. Claro, poderia ser melhor na questão dos horários, número de carros e outros, mas o motivo da escrita é outro. Às vezes penso que sou chata, mas entendo que educação e respeito cabem em todo lugar, que dirá num espaço público. É impressionante como as pessoas se acham no direito de tudo e se esquecem de quem está ao seu lado. Costumo ver cenas diárias que chocam, perturbam, incomodam. Pessoas idosas são tratadas como estorvo! Quando entram no ônibus são olhadas com desprezo. Já ouvi várias vezes pessoas dizendo "não sei o que esses velhos fazem na rua, porque saem a essa hora, porque não ficam em casa?". É um absurdo! Como assim? Não podem sair de casa porque são idosos? A maioria não tem outro meio de locomoção, não tem quem os leve ao médico, ao laboratório para realização de exames ou mesmo às compras. As pessoas reclamam simplesmente porque não querem ceder o lugar para que esses idosos se sentem. Viram o rosto, olham para o lado, como se não fosse com eles, como se não estivessem vendo que o idoso está ali, precisando sentar.

Num dos ônibus que utilizo vem uma moça dos seus 20 e poucos anos que não se levanta mesmo, chegando a dizer para a pessoa idosa que não sai, porque está com as mãos ocupadas, carregando algo. E ainda desce pela porta da frente. Sim, existem motoristas coniventes com tal situação. Segundo uma amiga, num dos dias que essa moça disse para uma senhora idosa que não ia se levantar, o motorista riu e disse "a senhora está bem, dá para ir em pé mesmo". Dá para acreditar? Claro, existem outros que se preocupam, como minha irmã presenciou outro dia: o motorista disse que não sairia do ponto enquanto não tivesse lugar para um idoso se sentar. E isso acontece também quando entra no ônibus uma mulher grávida ou com uma criança no colo. São poucos os que se levantam e cedem o lugar.

Duas amigas conversavam outro dia e diziam que não se levantam mesmo, porque pagam a passagem e têm direito de sentar. Claro que têm, mas e a gentileza, onde fica? E a caridade? E o respeito? Até homens agem assim. Vejo homens de várias idades ? 20, 30, 40... ? sentados tranquilamente enquanto mulheres carregam sacolas, seguram crianças e ficam em pé! Às vezes, senhoras de idade se levantam para ceder o lugar e eles nem se manifestam. Nem o aviso colocado dias atrás nos coletivos resolveu. As pessoas liam e continuavam sentadas!

Outra coisa é o uso de celular para ouvir música. Muitos se utilizam de fone de ouvido. Correto! Mas vira e mexe aparece alguém que acha que está em ônibus de excursão! Põe a música em volume alto e não está nem aí para os outros, seja qual for a hora. E somos obrigados a ouvir. Muitas vezes no fim do dia, ao final de um período estressante de trabalho; outras ainda pela manhã, quando mal acordamos. Deveria existir lei para isso. Tamanha falta de respeito!

Além disso, tem aqueles que jogam materiais (papel, principalmente) pela janela do ônibus, contribuindo com a sujeira e com os problemas em períodos de chuva.

Cada um deveria ter, digamos, bons modos. Mas já que a situação está assim, talvez fosse interessante uma campanha incentivando a boa educação, a gentileza, a cordialidade, o respeito. Eu gostaria de participar. Se alguém tiver alguma ideia, seria ótimo! Ou então que a Prefeitura, a Transurb, Emdurb ou outros órgãos pensem nisso. Muito obrigada ao JC pela publicação e muito obrigada aos que lêem minha mensagem, que vale como desabafo, pois fico muito chateada em ver como as pessoas não se importam mais umas com as outras e com o meio em que vivem.


Giselda M. Furquim Genovez

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