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Imperativos para sobrevivência

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

As expedições de conquista e seus desdobramentos além de eliminar populações quase inteiras, causaram grandes danos ambientais. O processo de colonização no Brasil, destruiu parte da Mata Atlântica, avançou sobre o Cerrado, a Caatinga, a Amazônia,... Se na maior parte das Américas espanholas buscou-se ouro e pedras preciosas, no Brasil, a atividade predatória se fez inicialmente em busca do pau-brasil para exportação.

Originário de onde hoje se localiza o Irã e o Iraque, o trigo passou a ser cultivado na Europa e, depois no Canadá, Martinica, Argentina,... Da Etiópia, foi trazido ao Brasil o Café. Em direção inversa, foi levada a batata do Peru para a Europa e sul da Ásia, o tomate e o milho do México para a Europa (principalmente Itália), e este último para a África. Da América Central o cacau foi introduzido e largamente cultivado em Gana e Brasil.

Voltada à exportação, a busca do lucro pelos colonizadores levou à monocultura extensiva dessas espécies introduzidas, às custas de amplos desmatamentos destruindo muitas espécies da flora e da fauna, secando fontes de água. A extração de minérios não foi menos predatória. A chamada Revolução Verde atentou ainda mais contra a biodiversidade provocando imensas erosões, assoreando rios, envenenando a água, o solo, o ar.

A Amazônia tem sido alvo de imensos desflorestamentos que teem causado sérios desequilíbrios e ocasionado perdas de espécies inclusive as pouco conhecidas. A maior bacia hidrográfica do mundo tem tido periódicas secas nos últimos anos!

A Amazônia é uma bomba que garante água para a região sudeste do Brasil. Sem ela, seria desértica como várias e amplas regiões que se encontram na mesma linha tropical, com imensos desertos como é o caso do Atacama, no Chile, afirma o cientista Antônio Nobre.

Do segundo mais extenso bioma do Brasil, a Mata Atlântica, só resta 8% não desflorestado, mas abriga o grande rio São Francisco e o imenso Aqüífero Guarani. Ambos constantemente ameaçados, no passado pela pecuária, pela monocultura da cana, do cacau e do café, hoje, pelo eucalipto, soja e, novamente cana. Agora o são Francisco está ameaçado pela transposição.

O Cerrado, inicialmente depredado pelo desflorestamento e pela mineração além da pecuária extensiva, hoje foi tomado por um mar de eucalipto e soja e é alvo de forte biopirataria.

O Pantanal, o menor dos nossos biomas, está ameaçado pela pecuária extensiva e até pela cana e soja. Pode vir a desaparecer se não forem protegidas suas principais fontes de água: os rios do Cerrado. Não há como sobrevivermos sem proteger a biodiversidade que ainda resta.


A autora, Iolanda Toshie Ide, é colaboradora de Opinião

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