Nacional

Servidores vão a passeata por anistia

Denise Menchen
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Servidores de diversas categorias do funcionalismo no Rio participaram ontem da passeata em favor da anistia dos 429 bombeiros e dois policiais militares denunciados por motim e danos materiais após a invasão do quartel central da corporação, dia 3. O perdão criminal e administrativo é a principal reivindicação do grupo, que foi libertado no sábado após habeas corpus da Justiça.

Segundo a PM, a manifestação reuniu cerca de 20 mil pessoas. Além dos bombeiros, médicos, professores e policiais militares levaram faixas cobrando melhores condições de trabalho do governo do Estado. Representantes dessas categorias também foram convidados a discursar nos carros de som da manifestação, que começou em frente ao hotel Copacabana Palace e terminou a cerca de três quilômetros dali.

Em greve desde o dia 7, os professores estaduais querem reajuste de 26%. Os microfones também anunciaram o apoio de bombeiros de São Paulo, Santa Catarina, Amazonas, Sergipe e Distrito Federal, além de Argentina e EUA.

Moradores que foram aproveitar o dia de sol na orla também aderiram ao ato. Muitos circulavam com uma fita vermelha no braço, na bicicleta ou no skate. Em alguns prédios, faixas na cor da corporação eram exibidas nas janelas.

À noite, o governo informou em nota que o governador Sérgio Cabral (PMDB) enviará mensagem à Assembleia Legislativa propondo que 30% do valor do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros, arrecadado com a taxa de incêndio, seja usado no pagamento de gratificações.

O fundo, que arrecadou R$ 110 milhões em 2010, hoje é destinado à manutenção e aquisição de equipamentos, assistência médica e social e treinamento de pessoal. A nota lembra que já foi anunciada a antecipação de um reajuste de 5,8%, que antes seria escalonado entre julho e dezembro. Somado aos reajustes de janeiro a junho, representará um aumento de 11,5% neste ano. O piso final, de R$ 1.265, ainda ficará aquém dos R$ 2 mil reivindicados pela categoria.


Enfermeira era única entre presos


Rio - Única mulher entre os bombeiros detidos no dia 4, a tenente Lucrécia Belo da Fonseca, 38 anos, estava ontem na manifestação em Copacabana. Discreta, reagiu com um sorriso tímido ao abraço de uma amiga que comemorava sua libertação.

Por ser mulher, ela passou os seis dias de detenção isolada no quartel do Méier (zona norte). Ao ser libertada, recebeu dispensa médica e recomendação para repouso. Não foi ao ato da categoria na Assembleia Legislativa, anteontem. Sobre os dias na prisão, fez um único comentário: "Diziam que eu não ia acreditar no que estava acontecendo aqui fora".

Lucrécia vai completar 11 anos na corporação no dia 26. Passou oito deles como cabo porque sua formação era técnica. Ao completar o curso universitário de enfermagem, prestou concurso para oficial. "O que começou como um serviço público passou a ser amor."

Solteira, ela não tem filhos nem vida social. "Só trabalho." São dois turnos na Unidade de Pronto Atendimento de Campo Grande 2 (zona oeste), um como bombeira e outro como enfermeira civil, também concursada.

Atende diariamente pessoas socorridas pelos colegas de corporação. "Crianças desequilibram a equipe. Tenho amigos que sofreram crises hipertensivas."

Ontem, ainda cansada, declarava-se feliz com o apoio popular ao movimento. "A população está nos resgatando."

Comentários

Comentários