Proibido jogar lixo nos rios, nas ruas, na calçada e nos bueiros das cidades! Proibido cortar árvores, atear fogo no mato, trafegar com o sistema de escapamento do veículo irregular e caçar animais silvestres! Eis a grande campanha mundial! Todavia, alguns legisladores, subestimando a capacidade de percepção dos eleitores, dão um "passa moleque" na sociedade e, escandalosamente, gargalham sobre a legislação existente, ridicularizam os cidadãos respeitadores das leis que protegem a natureza, aprovam mudanças vergonhosas e absolvem os que com insolência devastaram o meio ambiente pisoteando as normas legais então vigentes.
Um dos pontos polêmicos refere-se à diminuição da reserva legal ao longo dos rios nas Áreas de Preservação Permanentes, onde a lei atual determina que sejam respeitados trinta metros nas margens dos rios e com as mudanças propostas, tal espaço seria reduzido para quinze metros. O que se conclui que os infratores serão premiados pelo descumprimento da legislação. Anistiar criminosos significa premiar os que jogaram contra a sociedade. O mundo inteiro, boquiaberto, brada o crime que favorece o crime, laureando os destruidores da fauna e da flora.
Os fazedores de leis, ardilosos, burlam o direito, espezinham a população e denigrem a imagem do país perante o mundo. Quando o planeta pede ajuda e socorro, quando a humanidade se une para proteger a vida, algumas de nossas excelências brincam de legisladores, afrontando o futuro! E nada será feito para impedir tal desmando, pois verde apenas a esperança de enriquecimento ilícito onde imperativo é anistiar os criminosos do desmatamento irregular e angariar fundos para a próxima campanha eleitoral.
Vale lembrar que, por coincidência, o poder nacional está alojado em duas metades de colossal laranja, onde constituídas estão a casta privilegiada dos políticos, a casta intocável dos ministros e a casta dos articuladores de licitações ilegais, comumente denominados de lobistas, figuras holográficas que praticam o escambo de favores com o auxílio dos lambe-botas para a camuflagem do leso-patriotismo, hienas ululantes que apanham os farelos do requintado rega-bofe da corrupção. Ao povo resta suportar o peso das suntuosas duas metades do nobre fruto sobre os ombros. Um governo que adota o injusto e inadmissível regime de dois pesos e duas medidas para legislar, há muito arremessou para as profundezas dos quintos de Mefisto a ambicionada democracia proclamada nos palanques eleitoreiros.
A autora, Valderez de Mello, é escritora, psicopedagoga, pedagoga e advogada - autora do livro "Lágrimas Brasileiras" - e-mail: valdemello@gmail.com