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Letra de música causa polêmica em escola

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

A letra de uma música do rapper MV Bill utilizada em um trabalho escolar gerou polêmica e dividiu as opiniões de pais de alunos da Escola Estadual (EE) Professora Aparecida Sueli Sé Rosa, no Bauru I. As críticas dos pais começaram com os procedimentos pedagógicos adotados. Depois, o tom subiu com discussões que terminaram no registro de boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, na última segunda-feira.

A professora de língua portuguesa Márcia Aparecida Barbosa Vianna apresentou uma queixa contra Amaly Aparecida Losnake Pereira, mãe de uma aluna da 8ª série da escola, que também registrou queixa. Tudo foi incluído no mesmo boletim, registrado como desacato.

O caso exigiu a intervenção da Secretaria Estadual de Educação para preservar a imagem da escola pública e resguardar o ambiente educacional, já que alguns pais reclamaram do "comportamento autoritário" da professora.

A utilização de letras de músicas em trabalhos escolares é antes uma forma de atrair o estudante para o aprendizado da língua portuguesa, que é complexa. O uso do rap não é uma novidade, mas é sempre preciso tomar cuidado.

A letra "Estilo Vagabundo", do rapper carioca MV Bill, trata de uma discussão em que um casal se agride verbalmente. Algumas palavras são "pesadas" e refletem o modo como um certo grupo social se relaciona, com palavrões e termos depreciativos, que fazem parte de uma realidade linguística específica.

Texto censurado


A professora não foi autorizada pela Secretaria de Estado da Educação a conceder entrevista, mas a reportagem obteve a informação de que o texto em forma de letra da música foi apresentado aos estudantes censurado.

Porém, a filha de Amaly recorrer à Internet e obteve o texto integral, com todos os palavrões. "Quando comecei a ler, comecei a passar mal", comenta a mãe da aluna. Na última segunda-feira, ela foi à escola obter informações sobre a proposta pedagógica da aula sugerida pela professora. Ontem, a íntegra da letra respaldava um abaixo-assinado que circulava no Bauru I contra a professora.

Amaly esclarece que sua intenção é defender os interesses da filha. Um grupo de mães e avós de estudantes da Sé Rosa fizeram contato com o JC nos últimos dois dias, reprovando o comportamento da professora e seu trabalho pedagógico.

Uma das mães (que pediu para não se identificar) que reprovam a atitude da professora diz que há uma "disputa de poder". "Amaly é quem luta por nossos filhos aqui no bairro."

Ela acrescenta que não irá deixar as filhas participarem dos festejos juninos devido às músicas que, no seu entendimento, são incompatíveis com o ambiente escolar.

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?Exemplo de professora?


Se um grupo de pais reprova a professora e a direção da EE Professora Aparecida Sueli Sé Rosa, vários outros pais e mães de alunos - que estudam ou já cursaram as aulas da professora Márcia Aparecida Barbosa Vianna - são imensamente gratos pela dedicação da docente em lutar para que seus filhos aprendam. A pedidos, a identidade dessas pessoas está sendo preservada.

Uma mãe comentou que teria ocorrido um mal entendido nesta ocasião, porque o texto apresentado pela professora consta de uma apostila e realmente estaria editado nos trechos "impróprios".

Contudo, para não ter o trabalho de fazer uma cópia, alguns estudantes teriam optado pela facilidade de imprimir pela Internet a letra na íntegra. Sua filha mais nova é aluna da professora na 7ª série da escola, e a mais velha estudou da 5ª à 8ª série com a docente, que incentivou a aluna a cursar espanhol e a entrar no Senai.

Outra mãe de dois estudantes comenta que um dos filhos tinha déficit de atenção e, com a intervenção da professora, o aluno deslanchou. Ela comenta que, graças ao empenho de Márcia, os dois filhos conseguiram passar no concorrido Senai em Bauru.

"Não é um lugar fácil de entrar. Foi graças ao incentivo dela, porque sempre disse para meu filho que ela apostava nele. Ele conseguiu se formar, trabalha na área, vai fazer um novo curso no Senai e irá fazer faculdade. Ela nunca ensinou nenhum conteúdo que não fosse necessário para o aprendizado das crianças", frisa.

Uma outra mãe com filhas que estudaram no Sé Rosa comenta que a professora "não desiste dos alunos". Um pai de uma aluna de 11 anos que cursa a 5ª série entende como positivo o trabalho que a professora de língua portuguesa desenvolve atualmente no colégio.

A mãe de um aluno que estudou em 2008 e 2009 com a docente na Sé Rosa comenta que ela não faz diferença no tratamento dos alunos. "Ela pega a causa da criança e vai até o final", define. Para a mãe, a professora é muito humana.

Para exemplificar, ela cita que seu filho tinha problemas de saúde e recebeu atenção da docente até mesmo em sua residência. "Tinha uma outra criança na sala de aula que tinha problema com os pais em casa e com problemas na sala de aula. Ela ajudava e orientava no comportamento", elogia.

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Conteúdo consta da Rede de Formação de Docentes


O JC obteve a informação de que o conteúdo desenvolvido pela professora integra a Rede São Paulo de Formação de Docentes (Redefor), mantida por um convênio entre a Secretaria Estadual da Educação e a Unesp, USP e Unicamp.

Conforme apurou o JC, a professora da escola no Bauru I utilizou o conteúdo oferecido pela Unicamp, do qual extraiu a letra da música do rapper MV Bill. Mas ontem, a docente acatou a determinação da secretaria para não se pronunciar.

A secretaria, por intermédio de sua assessoria de imprensa, encaminhou uma nota ao JC sobre o assunto.

"Em relação à Escola Estadual Professora Sueli Aparecida Sé Rosa, a Secretaria de Estado da Educação informa que determinou a instauração de um processo averiguatório preliminar a fim de apurar os fatos. Após a conclusão da apuração, serão analisadas as medidas cabíveis.

A Pasta ressalta ainda que todo o material utilizado no curso de pós-graduação lato sensu em língua portuguesa do programa Redefor é destinado somente à formação de docentes. O curso não propõe conteúdos para serem trabalhados em sala de aula.

Entre seus objetivos está o de proporcionar reflexões sobre os diferentes aspectos sociais e culturais relativos à comunidade escolar, o que envolve promover exclusivamente entre educadores o debate sobre expressões artísticas de diversos tipos e linguagens (...).

A unidade também desenvolve atividades interdisciplinares e ações propostas pelo Sistema de Proteção Escolar (SPE). O programa foi implantado em 2009 pela Secretaria de Estado da Educação para proteger as escolas da rede estadual de fatores de risco e vulnerabilidade e aproximar a comunidade da escola (...)", diz a nota.

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