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Dr. Automóvel: Freios ABS

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

A cada dia que passa, ouvimos falar mais sobre freios ABS. Já comentamos nesta mesma coluna por diversas vezes sobre o assunto, mas ainda existem dúvidas de como funciona o sistema ABS ou para que veículo se aplica melhor.

Com a intervenção cada vez maior da eletrônica embarcada em todo tipo de veículos, nós usuários comuns só temos a ganhar com isso. O sistema ABS consiste de sensores nas rodas que verificam (por indução magnética) a rotação e a velocidade de cada roda e enviam esta informação para uma central ABS. Esta unidade de comando analisa e compara os dados dos sensores de cada roda e simula a situação dinâmica do veículo, calculando as condições para uma frenagem segura e adequada para cada instante. Quando a central detecta a falta de rotação de uma roda ou perda abrupta de velocidade, entende que aquela roda sofreu um travamento e está escorregando, ou patinando. Como resposta, o sistema libera o circuito hidráulico dos freios e alivia a pressão naquela roda, de modo que permita girar sem travar.

O princípio básico de um freio ABS é não permitir o travamento de qualquer uma das rodas, pois segundo a Física, o atrito dinâmico é menor do que o estático, ou seja, um carro em movimento com uma roda travada leva mais tempo para a imobilização completa do que se as rodas estivessem sendo freadas sem travar. Resumindo, um pneu rolando sobre o asfalto freia melhor do que um derrapando.

Para os profissionais do volante ou do guidão, a eletrônica pode tanto ajudar ou ser redundante, pois eles têm intimidade com a máquina que pilotam e sabem tirar o máximo dela com seu talento e, às vezes, a eletrônica até atrapalha alguma manobra.

No caso do controle de tração e mapeamento de motor eletrônicos, pilotos variam estas regulagens constantemente a seu favor durante uma corrida para otimizar seu desempenho, ganhando alguns décimos de segundo a cada volta. No caso do ABS, como atua sempre em função da segurança e não do desempenho, é preferível que máquinas de competição não tenham o sistema ativo.

Vejamos por exemplo a pilotagem normal em rodovias asfaltadas. Automóveis, motos e caminhões são grandemente beneficiados com o uso do ABS, cada um a seu modo.

Os carros mantêm a direção e alinhamento durante a frenagem com ABS e param em menor espaço, evitando um impacto maior contra um obstáculo qualquer. Basta pisar com tudo no pedal do freio que o sistema escolhe a pressão ideal para cada roda e faz o veículo parar de forma ideal sem derrapar.

Com as motos não é muito diferente, só que pelo fato de ter apenas duas rodas não é possível perder a direção. O que ocorre na verdade é que em uma freada de emergência sem ABS, se não for bem dosada a pressão no manete do freio dianteiro e no pedal do freio traseiro, poder ocorrer uma derrapagem e consequentemente a perda de alinhamento e controle até a inevitável queda. Com o ABS, pode "alicatar" os freios sem dó que ela para direitinho e com controle, principalmente em trechos molhados ou com pouca aderência.

Para um caminhão, a coisa muda drasticamente dependendo da carga (de zero a máxima) e do ponto médio onde esta fica colocada na carroceria, pois altera completamente o centro de gravidade (CG) do caminhão. Neste caso, o ABS tem função primordial ao evitar o travamento das rodas traseiras independentemente da carga sobre elas. É comum vermos nas estradas caminhões travando as rodas traseiras em frenagens mais fortes, deixando a marca no asfalto. O mesmo vale para as picapes, que foram projetadas para transportar cargas comerciais, mas viraram veículos de passeio e só andam vazias. Se pisar fundo no freio sem ABS com a caçamba vazia, as rodas traseiras se levantam e travam, perdendo o controle do veículo.

Existem situações em que o ABS mais atrapalha do que ajuda, mas apenas em casos específicos como no fora de estrada, por exemplo. Carros e motos precisam da liberdade de frenagem controlada para fazer uma curva na terra ou lama, usando uma derrapagem controlada para jogar a traseira para o lado oposto da curva no momento certo. Como com ABS isto não ocorre, é fundamental que em carros e motos off-road ele possa ser desligado se necessário.

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