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?Inércia? inviabiliza alerta de catástrofes na região de Bauru

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

O sinal de alerta disparou na região de Bauru em relação a riscos de desastres naturais devido à falta de iniciativa de algumas administrações municipais que ainda não tratam com seriedade a implantação de uma Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec).

Dos 39 municípios que integram a 7ª Região de Defesa Civil do Estado de São Paulo, somente 12 localidades (30%) - incluindo Bauru - têm uma Comdec atuante, segundo o major PM Rogério Gago, coordenador regional de Defesa Civil da região de Bauru e subcomandante do Corpo de Bombeiros de Bauru. Segundo ele, há dois anos a adesão era de apenas 20%.

A constatação do major pode ser medida pelo resultado pífio de um simples preenchimento de questionário sobre informe de pontos de risco e características da cidade.

Gago relata que, de 20 representantes de municípios, apenas 10 entregaram o documento solicitado em um encontro de estímulo à alimentação de informações do Centro Integrado de Alerta de Desastres Naturais (Ciaden). O sistema foi implantado em Cabrália Paulista com o objetivo de emitir alertas de catástrofes para as 39 localidades da região.

"Isso mostra que as prefeituras não estão preocupadas com a fase preventiva. Depois que aconteceu o desastre, elas vão pedir recursos (ao governo estadual) para cesta básica, agasalhos, colchões e dinheiro para reconstrução de pontes, galerias e tudo mais", ressalta.

Para tentar mudar essa situação, a Coordenadoria de Defesa Civil do Estado de São Paulo promove entre ontem e hoje mais uma edição do Seminário Regional de Defesa Civil. O momento é oportuno para debater desastres naturais após a morte do jovem Rafael Franco Zontini, 24 anos, afogado em mais uma inundação da avenida Nações Unidas, no Centro de Bauru, no final de novembro último.

Estímulo


Segundo o major, já foram feitas inúmeras reuniões no Ciaden para motivar as cidades a fornecer os dados indispensáveis para que sejam monitoradas e recebam as informações para mobilização contra catástrofes, como enchentes.

O coordenador regional de Defesa Civil não tem dúvida de que, com Comdecs atuantes, os eventuais danos podem ser minimizados. O coordenador faz um apelo a prefeitos para que se conscientizem de que não é necessário investir recursos do caixa do município.

De acordo com Gago, basta um grupo de funcionários da própria administração municipal com o cargo de coordenador municipal de Defesa Civil para levantar as áreas de risco e também trabalhar nas campanhas de prevenção.

O secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Defesa Civil, coronel PM Admir Gervásio Moreira, cobrou a adesão das prefeituras ontem, em sua passagem por Bauru.

"Cada poder público precisa ter a consciência de desenvolver políticas públicas para melhorar essa situação", define.

"O Estado não pode arcar com todos os compromissos de defesa civil do próprio município. As políticas públicas do município têm que desenvolver esse trabalho, inicialmente", acrescenta.

Na abertura do Seminário Regional de Defesa Civil, ontem em Bauru, Moreira estimulou prefeitos e representantes de cidades para um trabalho conjunto. Salientou que não é necessário iniciar com uma grande estrutura.

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Boas condições na cidade


O coordenador municipal de Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, explica que a cidade possui boas condições para atender a demanda do município com o recebimento de nova viatura, reforma da base e implantação do telefone 199.

Quanto aos impactos das chuvas na cidade, destacou as ações da administração municipal com obras de implantação de um piscinão, sistema de galerias e remoção da população moradora em áreas de riscos.

Nos próximos meses, Brito integrará um grupo de brasileiros em um curso de aperfeiçoamento no Texas, Estados Unidos. Ele explica que a Universidade do Texas é referência em treinamento em situações emergenciais, como terremotos, queda de meteoro e vulcão.

Participaram da abertura do seminário os prefeitos de Agudos, Everton Octaviani; de Cabrália Paulista, Jacintho Zanoni Filho; de Lençóis Paulista, Izabel Cristina Campanari Lorenzetti; de Duartina, Aderaldo Pereira de Souza Junior; de Bocaina, João Francisco Bertoncello Danieletto, e de Presidente Alves, Sandra Regina Sclauzer de Andrade. O prefeito de Bauru Rodrigo Agostinho, foi representado pelo chefe de gabinete Giasone Cândia.

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Centro Integrado ainda é
uma ferramenta pouco
utilizada pelas cidades


Os 39 municípios que integram a 7ª Região de Defesa Civil do Estado de São Paulo contam, há dois anos, com uma inovação contra catástrofes. O Centro Integrado de Alerta de Desastres Naturais (Ciaden) é a primeira base de operações vinculada ao Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Sismaden), o Inpe.

O Centro na região de Bauru é referência para a implantação do sistema em todo o Estado de São Paulo. Ele pode ser considerado subutilizado não por alguma deficiência do sistema implementado, mas porque as prefeituras ainda não se vincularam efetivamente ao Ciaden, alimentando o sistema com seus dados.

Conforme antecipou o JC em novembro de 2008, o Centro Integrado foi instalado na Escola Técnica Estadual (Etec) "Astor de Mattos Carvalho", em Cabrália Paulista, projetado para monitorar 39 municípios da região de Bauru.

A amarração dos dados é feita em tempo real por um programa de computadores (software) desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Sistema de Monitoramento e Alerta a Desastre Naturais (Sismaden). A Defesa Civil de Cabrália será a primeira do País a utilizar do Sismaden.

O sistema integrado monitora furacões, tufões, chuva, chuva com granizo, enchentes, deslizamentos de terra, seca extrema, com risco de incêndios florestais, quebra de safra por falta de chuva ou por excesso de precipitação.

O programa possibilita projetar que uma determinada quantidade de chuva provocará uma enchente. Em situação oposta, a escassez aumenta o potencial para incêndios.

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