Todo pescador tem um pouco de mentira ao contar as suas lorotas, e eu não posso ficar atrás. Mas nem por isso sou mentiroso. Pois bem, vou lhe contar mais uma que aconteceu em uma pescaria que eu fiz na barranca do rio Tietê, num lugar chamado Piaveiro. É um lugar famoso, pois se chover, não sai de lá, a não ser com ajuda de um trator, porque o barro vermelho é de amargar. Bem, como eu estava contando, o dia estava nos trinques para uma boa pescaria: um sol de rachar mamona. E a pescaria corria bem. Já tínhamos pego diversas piavas e muitos lambaris, mas tem sempre um mas. O tempo deu uma viravolta e começou a escurecer. Já eram 3 da tarde. Nisso, o amigo Odair, que tinha levado em seu carro. deu o alarme! Ei, pessoal, vamos dar no pé que eu não quero pegar chuva por aqui. Foi uma correria danada para arrumar as traias. Pego a vara que estava de espera, coloco a tampa na mesma e ela estava com a linha iscada. Começo a enrolá-la. Nisso, apareceu uma lontra não sei de onde e com forte avanção tomou a vara da minha mão e "zap"... lá se foi a minha vara rio abaixo. Só fiquei vendo ela sumir para o fundo do rio. Arrumei o resto da traia e saímos de lá numa disparada, pois logo despencou um toró danado.
Florindo Martins é pescador e contador de histórias