Bairros

Após 5 mortes por dengue, Saúde promete planejar 2012

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Na tarde de ontem, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou mais duas mortes por dengue em Bauru. Agora a cidade já registra, na pior epidemia de sua história, cinco vítimas fatais da doença em 2011 e é o segundo município com maior número de mortes em todo o Estado de São Paulo. Para o secretário de Saúde, Fernando Monti, o período crítico passou, porém, a cidade começa um replanejamento para evitar uma epidemia ainda mais intensa no próximo ano.

Os últimos dois óbitos confirmados são de homens adultos. O primeiro era um idoso, de 92 anos, morador do Parque Vista Alegre, que morreu no dia 17 de abril. Por meio da assessoria de comunicação da prefeitura, a Secretaria de Saúde afirmou que os sintomas começaram no dia 4 daquele mês.

Três dias depois, o paciente, que era portador de uma doença de base (debilitante), foi internado em um hospital da rede privada. Ele foi tratado conforme os sintomas de seu quadro clínico, entretanto, o tratamento evoluiu de maneira insatisfatória e, no dia 17, a vítima morreu.

O caso foi classificado como óbito por dengue com complicações como rebaixamento do nível de consciência e insuficiência respiratória. Apesar de o caso ter sido oficializado somente agora, o idoso foi a primeira das cinco mortes por dengue em Bauru.

Já o outro óbito, que também foi confirmado ontem, ocorreu no mês passado. Na ocasião, um homem de 62 anos, que também tinha doenças debilitantes e estava em acompanhamento no ambulatório do Hospital Estadual (HE), foi internado na instituição no dia 16.

De acordo com a Secretaria de Saúde, o quadro do paciente piorou e sete dias depois, ou seja, em 22 de maio, ele morreu. Por meio da assessoria de imprensa, a classificação oficial foi óbito por dengue hemorrágica.

"Nos dois casos os pacientes tinham doenças de base, que são doenças debilitantes como diabetes, hipertensão, entre outras. São situações em que a pessoa já está mais fraca e a dengue acaba complicando o quadro. No primeiro, era um senhor de idade avançada, o que complica até mesmo a hidratação", explica a médica sanitarista da Vigilância Epidemiológica Maria Helena de Abreu.

Apesar de os casos terem ocorrido há algum tempo, a Secretaria de Saúde esclarece que a confirmação dos óbitos somente foi divulgada agora por conta da finalização das investigações em ambos.

Outros casos


Neste ano já haviam sido registradas três mortes pela doença, que foram as primeiras em toda a história da cidade. Conforme revelou o JC, a primeira vítima confirmada foi um homem adulto, morador da Vila Garcia, que esteve internado no Hospital Estadual (HE) do dia 14 até 21 de abril, quando morreu. Segundo o que a reportagem apurou, era um homem de 67 anos e a morte ocorreu durante a madrugada. O nome não foi divulgado.

O segundo caso ocorreu no dia 4, quando a comerciante de 47 anos Fátima Aparecida Pereira da Silva, moradora do bairro Pousada da Esperança 1, morreu no Hospital de Base (HB). Um dia depois, Marcos Kazui Soga, de apenas 4 anos, também entrou para a estatística das vítimas fatais de dengue hemorrágica.

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Município tenta evitar avanço da epidemia


Segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, a dengue está há alguns dias passando por uma curva decrescente em Bauru. O frio atual não é propício à proliferação do Aedes aegypti e, além da baixa temperatura, a falta de chuvas diminui a quantidade de criadouros do inseto.

Porém, por conta da epidemia deste ano - certamente a pior de toda a história -, Monti explica que a cidade precisará passa por um replanejamento em todos os pontos vulneráveis para evitar que o fato se repita no próximo ano.

"Hoje (ontem), nossos técnicos se reuniram com cerca de 70 estabelecimentos como ferros-velhos e depósitos de recicláveis para passar instruções. Já conversei com o prefeito e precisamos replanejar nossa cidade para que essa epidemia volte no próximo ano. É necessário uma intervenção agora", explica o secretário.

Segundo a médica sanitarista da Vigilância Epidemiológica Maria Helena de Abreu, a intensidade da epidemia este ano é explicada, além da maior notificação, justamente pelo que ocorreu em anos anteriores. "Estamos vindo de epidemias em vários anos. Muitas das pessoas que pegaram, podem já ter tido nos outros anos, o que intensifica a doença".

O município orienta a tomar cuidados como manter quintais limpos; descartar garrafas vazias, pneus velhos e demais recipientes que possam armazenar água ou mantê-los devidamente protegidos com tampas; manter caixas d?água devidamente tampadas e manter vasos e os pratos dos mesmos com areia; piscinas vazias e cobertas com lona; manter a limpeza de calhas (se possível três vezes ao ano); deixar vasos sanitários tampados e depositar hipoclorito de sódio (alvejante) em ralos externos e internos.

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Bauru é segunda com maior índice de mortes
pela doença no Estado


Com a confirmação de mais duas mortes, Bauru se firma como uma das cidades com o maior número de óbitos por dengue em todo o Estado de São Paulo em 2011. Segundo balanço da Secretaria de Estado de Saúde realizado entre janeiro e maio deste ano, com cinco mortes a cidade superou Taubaté, que era a segunda colocada em mortes.

Contando os óbitos oficializados ontem, o levantamento do Estado totaliza 23 mortes. Entretanto, este número já aumentou. Também ontem, Ribeirão Preto confirmou dois novos casos, chegando a oito vítimas fatais por conta da dengue.

Bauru ainda figura em outra infeliz estatística. Com 4.099 casos de dengue, sendo 4.093 autóctones e seis importados, a cidade também é a segunda no número de ocorrências. Em 2010, a cidade registrou 648 casos de dengue. Desse modo, faltando ainda seis meses para o final de 2011, além das cinco mortes já confirmadas, a cidade contabiliza um número seis vezes maior de pessoas com a doença do que no ano anterior.

Neste outro triste ranking, o município somente perde para Ribeirão Preto, com mais de 14 mil casos registrados.

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