Atenas - Diante de intensos protestos que levaram milhares de pessoas às ruas de Atenas contra as medidas anticrise, o primeiro-ministro da Grécia, Giorgos Papandreou, anunciou que formará um novo governo e sinalizou que pode renunciar. Se isso ocorrer, será o terceiro governo a cair em razão da crise da dívida europeia, após Irlanda e Portugal.
Em pronunciamento na TV, Papandreou pediu que a população confie no grupo governista no Parlamento. O anúncio foi feito depois que negociações para que a oposição se juntasse à coalizão governista falharam.
A oposição exigiu que o primeiro-ministro renunciasse. Outra demanda era negociar diretamente com o FMI e a União Europeia novo pacote de socorro financeiro.
O FMI e a UE ameaçam não liberar a quinta parcela do socorro ao país na próxima semana, no valor de é 12 bilhões de euros (R$ 27 bilhões).
Anteontem, ministros de finanças europeus se reuniram para discutir a crise, mas não chegaram a um acordo.
Fontes do governo chegaram a dizer ontem que Papandreou aceitaria deixar o poder, abrindo caminho para um acordo político ao plano contra a crise.
O "Financial Times" citou Lucas Papademos, ex-presidente do banco central grego, como um possível nome para suceder Papandreou. Ele seria uma alternativa técnica para chefia o governo.
Nas ruas de Atenas, um dos principais alvos dos protestos de foi o Ministério das Finanças, que discute o novo pacote de ajuda financeira.
Jovens lançaram "bombas de gasolina" contra o ministério e houve confrontos intensos com a policiais. Focos de incêndio foram vistos.
O Parlamento também foi alvo de manifestantes, mas em vez de bombas incendiárias, eles usaram contra a sede legislativa pedras e iogurte - um produto típico da gastronomia grega.