Números, somas, multiplicações, divisões, equações, ângulos, matrizes e funções. Para muitos, essas palavras assustam. Mas para outros, como Juliana Alves Pegoraro e Gustavo Mello Crivelli, 16 anos, é "simplesmente" matemática. Ele, ainda estudante do 3º. ano do curso de informática do Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp de Bauru, e ela, aluna da Unesp no campus de Assis, são os ganhadores de algumas das medalhas de ouro da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMep) de 2010.
A história dos dois estudantes não é muito diferente, já que eles sempre gostaram de cálculos e números, muitos números. A afinidade com a geralmente temida matemática nasceu com Juliana e Gustavo.
"Quando eu entrei no CTI já sabia que ia ter que estudar bastante matemática por conta do curso. Mas eu sempre tive facilidade e não encontrei dificuldades", contou Gustavo.
Desde o ensino médio, a área que chamava a atenção dele era mesmo a de exatas. Em 2009 ele foi medalhista da OBMep com a prata da "casa".
Participou também de uma olimpíada interna da Unesp além de outras competições, como a de astronomia.
"Saindo do CTI, eu pretendo continuar na informática ou até mesmo na matemática, mas seguindo a área de pesquisa", acrescentou o jovem de 16 anos, já com planos para o futuro.
Juliana está seguindo também pelo "caminho dos números". Ela terminou o ensino médio no final do ano passado e conquistou uma vaga na Unesp de Assis. Atualmente, Juliana cursa engenharia botecnológica e, portanto, segue na área das ciências exatas. "Eu não esperava ganhar a medalha de ouro nessa olimpíada", conta.
Incentivo
Os dois estudantes relatam que, apesar do talento nato que possuem para a matemática, a figura dos professores e o incentivo deles também foram fundamentais para que continuassem estudando a ciência mais a fundo.
No CTI, todos os alunos são inscritos quando há essas competições. A professora Luciane Ferraz Zapater, que ministra aulas de elementos de lógica e também de matemática no CTI há mais de 20 anos, conta que Juliana e Gustavo sempre se destacaram entre os demais colegas de classe.
"A Juliana era mais retraída e fazia poucas participações em salas de aula. O Gustavo já é mais expansivo. Gosta de se posicionar, principalmente na conclusão de exercícios. Mas os dois sempre demonstraram facilidade e uma atenção maior com a matemática", conta.
Luciane ressalta que, diferentemente de outros colégios, o CTI não faz aulas preparatórias para essas olimpíadas. "Os alunos vão com a bagagem que têm", frisa.
Para ela, a figura do professor também é importante. "Eu fico muito feliz com o destaque dos alunos e principalmente quando encontro ex-alunos na rua e eles me falam: lembra aquela sua aula? Me ajudou a passar em um curso, ou faculdade", finalizou.
Premiação vai ser no RJ
A entrega das tão esperadas medalhas será no próximo dia 21, às 14h30, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na Capital do Estado. O evento reunirá os 504 alunos premiados com medalhas de ouro da OBMep 2010 de todo o País, junto dos melhores pontuados nas unidades federativas que não receberam medalhas de ouro.
Os primeiros colocados poderão receber as medalhas das mãos da presidente Dilma Rousseff, já que, segundo a professora do CTI Luciane Ferraz Zapater, os premiados em edições anteriores foram contemplados com a presença do ex-presidente Lula.
Os medalhistas de prata e bronze receberão suas medalhas em cerimônias regionais, assim como os certificados de menção honrosa.