Presidente Prudente - O líder sem-terra José Rainha Jr. foi preso ontem pela Polícia Federal, em Presidente Prudente (SP), sob suspeita de integrar quadrilha envolvida em desvios, extorsão, estelionato e extração ilegal de madeira. A prisão é temporária. A operação, chamada Desfalque, prendeu mais oito pessoas. Ainda foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão. A investigação corre em segredo de Justiça.
A reportagem apurou que entre os presos estão o irmão e advogado de José Rainha, Roberto Rainha, e uma funcionária do Incra em SP. José Rainha tem passagens pela prisão por furto, formação de quadrilha, coautoria em dois homicídios, porte ilegal de arma, entre outros crimes.
Segundo a PF, o grupo preso é suspeito de usar associações civis para desviar verbas para manutenção de assentamentos. Em um dos casos, o líder e outras oito pessoas são suspeitas de desviar R$ 212 mil enviados pelo Incra à Associação de Amigos de Teodoro Sampaio. Ao todo, a polícia apura repasses a associações do Pontal do Paranapanema (SP) que somam R$ 5 milhões.
A reportagem não localizou os advogados de José Rainha. A advogada de Roberto Rainha, Jeane Ambrósio, disse que irá definir a estratégia de defesa hoje, depois de ter acesso à investigação.
Convênios sob investigação
A Federação das Associações dos Assentados e Agricultores Familiares do Oeste Paulista (Faafop) e a Associação Amigos de Teodoro Sampaio, ligadas a José Rainha Jr. são investigadas também por desvio de recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Entre 2007 e 2009, as entidades receberam R$ 10 milhões através de convênio com o MDA para um programa de construção de moradias nos assentamentos, mas o Ministério Público Federal (MPF) encontrou irregularidades na prestação de contas da primeira parcela, de R$ 3,5 milhões. Notas frias teriam sido usadas para justificar as despesas.
Convênios do Incra/São Paulo com outras entidades ligadas aos sem-terra também estão sob investigação. A Procuradoria da República em Ourinhos abriu inquérito para apurar a venda irregular de 400 mil metros cúbicos de madeira do Horto de Iaras. O MPF apura desvio semelhante no Horto Aimorés, em Pederneiras, região de Bauru.