O litro do etanol disparou na última semana em Bauru, novamente, e o litro já custa R$ 1,79 ao consumidor final. O mais intrigante é que o período é de safra da cana-de-açúcar, matéria prima para a produção do álcool. A fase de colheita começou em maio e deve prosseguir até meados de novembro.
A diferença de preços é em torno de R$ 0,30 a mais por litro em relação aos valores praticados na cidade até a semana passada. Em alguns postos ainda era possível adquirir o litro por R$ 1,64, R$ 1,67 e R$ 1,69 ontem.
Apesar do público consumidor estar acostumado com as recentes - e constantes - variações de preços desse combustível, o que surpreendeu desta vez é que o reajuste está ocorrendo fora do período de entressafra da cana. O valor ainda está abaixo dos R$ 2,25 praticados no final de março em Bauru, quando a gasolina chegou a R$ 2,69 e a cotação dos dois combustíveis bateu o recorde histórico na cidade.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine, acredita que, a partir da semana que vem, haverá álcool anidro sendo comercializado acima de R$ 1,79 nos postos. Segundo ele, o preço de custo praticado pelas companhias distribuidoras já supera R$ 1,50.
Conforme apurado pelo JC, o aumento está sendo justificado pela falta de etanol no mercado, situação que teria sido ocasionada pela quebra da safra 2011/2012 de cana-de-açúcar.
O engenheiro agrícola da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana) Denilson Heládio Vitti, alerta que o consumidor deve se acostumar com o álcool a preços elevados.
"Não se deve esperar preço muito menor do que isso, não", afirma. O engenheiro projeta que o valor mínimo praticado ao consumidor final fique em torno de R$ 1,60 o litro.
Reghine, presidente do Sincopetro, ressalta que o preço do litro do álcool combustível nas distribuidoras para o revendedor já chegou a R$ 1,54. Segundo ele, a escalada de preços começou na semana passada.
"Safrinha"
Denilson Vitti revela que o volume de cana colhido caiu 10% este ano em relação à safra passada. A safra 2011/2012 começou a ser colhida em maio último, com um mês de atraso em relação ao que geralmente ocorre. O engenheiro da Associcana explica que o rendimento agrícola de álcool e açúcar foi menor do que o projetado porque a cana não atingiu a maturação obtida na safra anterior.
Vitti acredita que o período de safra na região de Bauru não chegará até a segunda quinzena de novembro porque há pouca matéria prima disponível nas plantações.
Reghine observa que o preço disparou ainda no meio do ano, quando o esperado era alguma pressão por aumento para o segundo semestre de 2011.
"Tínhamos uma previsão para este ano de que o álcool (estoque) não chegaria com tranquilidade até dezembro. Mas ainda estamos em junho e já há falta do produto no mercado", preocupa-se
O presidente do Sincopetro frisa que os preços não são elaborados pelos revendedores - postos -, e sim pelas usinas e companhias distribuidoras.
Produção de açúcar
No início deste ano, especialistas atribuíram o aumento do álcool combustível e da gasolina à preferência dos usineiros em utilizar a cana para a produção de açúcar - motivados pelos altos preços do produto no mercado internacional - e também ao período de entressafra.
Reghine comenta que a safra atual está com 20% de quebra na produtividade segundo, pronunciamento recente de um representante da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica). O JC procurou ontem a Única, que por intermédio de sua assessoria de imprensa, preferiu não se pronunciar sobre a alta atual.