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Entrevista da Semana: Joaquinzinho

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Para a entrevista, sorriso estampado, camisa xadrez nas cores vermelho e preto e muitas histórias para contar. Assim se apresentou Joaquim Paulo da Costa, mais conhecido por Joaquinzinho, seu personagem infantil em quadrinhos criado pelo Jornal da Cidade no fim da década de 90, que ensinava e divertia as crianças aos domingos.

O personagem nasceu do slogan da campanha de Joaquim Paulo da Costa para a Prefeitura de Bauru, em 1996. "Meu slogan era voltado para as crianças porque sempre gostei muito dos pequenos. Acho que um povo que não cuida de suas crianças não tem história, já que elas são o início de tudo", afirma.

O menino de infância feliz, nascido e crescido na zona rural do Estado de Goiás, também fez carreira no Banco Nacional e na área de seguros. Atualmente, ele presta consultoria de seguros para várias empresas da cidade.

A paixão pelos amigos, família, viagens e pela filha pianista também fazem parte da entrevista que Joaquinzinho concedeu ao Jornal da Cidade e que segue abaixo.

Jornal da Cidade - Como nasceu o "Joaquinzinho"?

Joaquim Paulo da Costa (Joaquinzinho) - A primeira edição dos quadrinhos surgiu em agosto de 1997, com a arte dos ilustradores Alcione e Greiffo, e circulou até o ano 2000. A ideia nasceu após minha campanha política de 1996, quando eu fui candidato a prefeito de Bauru. Meu slogan era voltado para as crianças porque sempre gostei muito dos pequenos e porque acho que um povo que não cuida de suas crianças não tem história, já que elas são o início de tudo. Assim, gravei uma música que falava sobre as crianças e ela se tornou popular entre elas. Depois disso, a direção do Jornal da Cidade teve a ideia de montar o projeto "Papai Noel vem do Céu", no Parque Vitória Régia. Distribuíamos mais de 20 mil brinquedos para as crianças pobres. Além disso, levávamos exemplares do JC Criança e do Jornal da Cidade para as escolas da periferia de Bauru para que os alunos pudessem aprender a ler de forma diferente.

JC - Você também trabalhava com essas crianças?

Joaquinzinho - Sim. Eu fazia palestras nas escolas e as crianças iam até o Jornal da Cidade conhecer o funcionamento de tudo. Foi um sucesso. Trouxemos o Circo Spacial, com a Eliana, que estava em início de carreira, entre outras atrações. Isso aconteceu durante quatro ou cinco anos.

JC - Como era a sua relação com o leitor infantil?

Joaquinzinho - Era muito boa. As crianças me reconheciam e me pediam autógrafos. Eu também fazia muitos eventos em escolas da cidade e região, animando festas. Tive muitos parceiros importantes no palco, como o Palhaço Faísca, por exemplo.

JC - Como teve início sua carreira política?

Joaquinzinho - Tudo começou em 1996. Eu era filiado a um partido político e achei que devia me candidatar porque, para criticar os políticos e os que detêm o poder público através do voto, a gente também precisa tentar. Nessa época, candidatei-me a prefeito, mas foi o Izzo Filho quem ganhou. Minha campanha não rendeu votos, mas foi um sucesso entre as crianças.

JC - Desistiu da política?

Joaquinzinho - Depois de ser candidato a prefeito, eu me candidatei a vereador, em 2004, e vi que o povo realmente queria que eu permanecesse fazendo a alegria das crianças e cobrando como cidadão, não como político. Saí completamente da política. Claro que ouço os políticos, mas fico nos bastidores, porque nós devemos nos interessar pela política de nossa cidade, fazendo críticas construtivas aos governantes para que a cidade se transforme em um lugar melhor para se viver.

JC - Você também já foi bancário?

Joaquinzinho - Sim, trabalhei por muitos anos no Banco Nacional e morei muitos anos em São Paulo por causa desse trabalho. Voltei para Bauru quando o banco estava se transformando e sendo vendido. De volta à cidade, eu comecei a trabalhar na área de seguros na AD Corretora, onde fiquei por cerca de quatro ou cinco anos. Ainda não estou definitivamente aposentado. Sou consultor de seguros e presto assistência em consultoria de seguros através da Líder Corretoras de Seguros para várias empresas de Bauru.

JC - Quando fala de infância, do que se lembra?

Joaquinzinho - Lembro-me de um mundo maravilhoso, um mundo cheio de amor. Vivi até os 14 anos de idade na zona rural do Estado de Goiás. Nasci em uma fazenda em Firminópolis, a 60 quilômetros de Goiânia, e até os 24 anos eu permaneci em Goiânia. Tenho recordações maravilhosas daquela época. Minha infância foi sem sofrimento, difícil, mas com amor. Eu acredito que, só com o amor infinito, a gente consegue valorizar as pessoas. Hoje em dia, muitas vezes as famílias têm tudo, mas não têm amor. Para mim, família é tudo.

JC - Ainda tem contato com Goiás?

Joaquinzinho - Sim, sempre que posso vou para lá porque minha família inteira é de lá. Tenho 10 irmãos e todos moram lá. Somos de uma família do ramo da panificação em Goiânia. Todos os produtos são naturais porque o princípio da saúde é a alimentação.

JC - O que o trouxe a Bauru?

Joaquinzinho - Vim para Bauru em 1969. Eu saí de Goiânia para servir uma empresa financeira no Rio de Janeiro. Fiquei no Rio por dois anos e fui transferido para o Estado de São Paulo. Aqui, minha primeira cidade foi Araraquara, fiquei lá por um ano até vir para Bauru. Por aqui me casei, tive dois filhos e fiz muitos amigos.

JC - Uma saudade...

Joaquinzinho - Tenho um casal de filhos e minha filha, que é uma pianista erudita clássica, mora fora do País já há dez anos. Ela trabalha com obras infantis, traduzindo os clássicos da música para as crianças. Ela é minha companheira de viagem. Sinto uma saudade que dói, porque eu posso dizer que a saudade dói por dentro. Quem assistiu o filme "O Poderoso Chefão 3" lembra-se da passagem em que o personagem do ator Al Pacino fica sabendo que sua filha foi morta por outros mafiosos. Ele abre a boca e fica uns 30 segundos calado. A saudade também é isso. Eu tenho muita saudade da minha filha e dos meus amigos e companheiros que sempre estiveram ao meu lado com os meus trabalhos com criança, por exemplo, como o Moussa Tobias, Pepe, Flávio de Angeles, entre outros.

JC - Você disse que sua filha é uma companheira de viagem. Você costuma viajar sempre?

Joaquinzinho - Sim. Eu costumo viajar sempre pelo Brasil e pela América do Sul e ela sempre foi uma grande companheira. Tem uma passagem que eu sempre me recordo de quando estivemos em Buenos Aires e fomos assistir juntos a "Flauta Mágica", no Teatro Colón. Foi um momento inesquecível. Após a ópera, fomos jantar em um hotel maravilhoso.

JC - Você sempre vai para Buenos Aires?

Joaquinzinho - Gosto muito daquela cidade porque é uma pequena Europa na América do Sul. Aquela cidade possui mais livrarias do que todo o Brasil, além de ter quase 160 teatros de todos os níveis culturais. Lá, todos os cafés têm jornais em cima da mesa para você ler ao tomar sua xícara. Além disso, o argentino também é um povo hospitaleiro.

JC - Você é religioso?

Joaquinzinho - Sou sim. Gosto de dizer que o amor infinito é a única verdade e que Deus é a fonte de tudo. Ele não está fora olhando ou julgando, mas está presente dentro de cada pessoa que quer recebê-lo. Sempre que viajo, a primeira coisa que eu faço ao chegar é procurar uma igreja, seja qual for, para agradecer aquela viagem. Também tenho um anel como a oração do Pai Nosso gravado que sempre me acompanha. Este anel foi abençoado por um arcebispo argentino. Gosto de dizer que viver em paz não é viver sem problemas, atribulações ou tormentos. Viver em paz é viver com a clareza de se fazer o que precisa ser feito. É assim que vivo a minha vida atualmente.

JC - Projetos futuros?

Joaquinzinho - Para o campo profissional, eu pretendo continuar como consultor de seguros. Já no campo pessoal, quero muito voltar a trabalhar com crianças. Posso dizer que mais que um projeto, isso é um sonho. Eu acho que o destino de um povo está nas crianças e elas precisam ser felizes. Estive em Cuba no ano de 2002 e, logo na entrada de Havana, há um outdoor com a frase: "Nesse exato momento existem 200 milhões de crianças no mundo passando fome. Nenhuma é cubana". É uma coisa fantástica. Hoje há muitas grupos de proteção aos animais, por exemplo, mas praticamente nada que cuide das crianças. Não que os animais não mereçam, ao contrário, todos devem ser cuidados, mas o ser humano é o bem maior de uma cidade e uma nação.

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Perfil


Nome:

Joaquim Paulo da Costa

Idade:

65 anos

Local de Nascimento:

Firminópolis/Goiás

Signo:

Câncer

Filhos:

Inis Garcia da Costa e Guilherme Garcia da Costa

Hobby:

Ler e tomar vinho com os amigos

Livro de cabeceira:

Bíblia

Filme preferido:

"Uma Linda Mulher"

Estilo musical predileto:

Erudito clássico

Time:

São Paulo

Para quem dá nota 10:

Aos que têm o coração sensível ao bem e servem a sociedade com princípios divinos

Para quem dá nota 0:

Às pessoas que exercem cargos públicos para se servirem

E-mail:

lidercorseg@terra.com.br

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