Trípoli - Investigadores internacionais obtiveram milhares de documentos que revelam em detalhes os crimes de guerra cometidos pelas forças do ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, na repressão ao movimento oposicionista na cidade de Misrata.
Misrata é a terceira maior cidade líbia e está há mais de dois meses sob intensa disputa entre os rebeldes e as forças leais a Gaddafi.
Os documentos, segundo reportagem do jornal britânico "The Guardian", estão sendo mantidos em um local secreto no porto líbio, atualmente sob controle dos rebeldes.
Os papéis serão enviados ao Tribunal Penal Internacional, onde Gaddafi está sendo investigado por crimes de guerra. Os promotores do tribunal devem viajar até a cidade para ver os documentos quando os bombardeios acabarem.
Um dos documentos, afirma o jornal, mostra instruções do general comandante para que suas forças impeçam a entrada de alimentos em Misrata e deixem a população morrer de fome. Outro instrui as unidades a caçar rebeldes feridos, violando as Convenções de Genebra.
Os papéis trariam ainda uma mensagem do próprio Gaddafi para que as tropas destruam Misrata "e o mar azul fique vermelho" com o sangue de seus moradores.
Os documentos representam um marco na justiça internacional, que não viu em sua história recente nenhum caso em que havia documentos diretamente implicando os suspeitos de crimes de guerra.
Os documentos foram "salvos" por advogados oposicionistas que pediram aos manifestantes que invadiram as bases do Exército e delegacias de polícia que protegessem os locais contra incêndio. Em outras cidades, este prédios foram queimados, juntamente com seu conteúdo.
Morte de civis
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reconheceu ontem a sua responsabilidade na morte de civis durante um ataque aéreo a Trípoli, Capital da Líbia, depois de o regime de Gaddafi ter acusado a Aliança Militar Ocidental de matar nove civis em um bombardeio.
"O alvo previsto dos ataques aéreos em Trípoli, na noite passada, era um armazém militar de mísseis. Parece que uma arma não atingiu o alvo previsto e que pode ter havido um erro no sistema, que causou um certo número de vítimas civis", acrescentou a Otan no comunicado.