De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Bauru apresentou um saldo positivo de mais de 3 mil empregos formais gerados nos cinco primeiros meses deste ano. Entretanto, o que chamou a atenção foi que o resultado - inferior ao mesmo período do ano passado - foi "barrado" pela construção civil. Mesmo o setor passando por um "boom", a cidade registrou 143 demissões a mais do que contratações no setor.
Segundo o Caged, de janeiro até maio deste ano Bauru criou 3.322 novos postos de trabalho, com 29.549 admissões e 26.227 demissões. O número é menor do que o saldo registrado nos cinco primeiros meses do ano passado, quando a cidade gerou 4.178 novos empregos.
Em 2011, novamente, o setor que, disparado, ficou em primeiro lugar foi o de serviços. Foram 14.960 contratações contra 11.937 demissões, o que contabilizou saldo de 3.023 novos postos de trabalho gerados.
Segundo o economista Reinaldo Cafeo, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), as privatizações contribuem para o crescimento da prestação de serviços, assim como as empresas de recuperação de crédito, que fazem contratações em grandes números. Em algumas dessas empresas, em um único processo de admissão são gerados quase 200 novos postos de trabalho.
Nas indústrias, o balanço parcial deste ano é positivo. Foram 298 admissões a mais do que demissões, todavia, o número é menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, no qual foram gerados 413 novos empregos. Já o mercado de trabalho no comércio também desaqueceu. Em 2011 o setor aponta, até agora, saldo negativo de 269 empregos.
"O que ocorre são ciclos. No comércio, a fase analisada é de um ciclo menor de contratações. Há uma dinâmica muito grande de pessoas que são contratadas, demitidas, temporários que viram empregados, entre outros. É um saldo normal. O que estamos verificando este ano é um certo ?engessamento? do crédito por parte do governo e que reflete no desempenho do comércio", aponta o economista.
Entretanto, o que chamou a atenção foram os números da construção civil. Mesmo a cidade passando por um "boom" do setor há alguns anos, os números do Caged parciais de 2011 não apontam essa expansão.
Nos cinco primeiros meses deste ano foram 3.437 admissões em contraponto a 3.580 demissões, ou seja, saldo negativo de 143. Para se ter uma ideia da disparidade, no mesmo período em 2010, o balanço registrado apontou, na construção civil, a geração de 1.020 novos empregos.
Interpretações
Este saldo parcial do setor gerou surpresa entre os próprios especialistas, que teceram interpretações diferentes sobre o fato. Para o economista Reinaldo Cafeo, o que pode estar ocorrendo é, aos mesmos moldes do comércio, a passagem de um ciclo.
"Não dá para crescer para sempre. Esse número pode representar uma fase de acabamento de grandes instalações. Essa fase demanda menos mão-de-obra e por isso há mais demissões do que contratações. Nos próximos meses pode haver um impulso, porém, o mais provável é que estabilize como está", prevê.
O secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, entretanto, não acredita que o saldo negativo reflita a realidade. Segundo ele, "por todo lugar há pessoas procurando mão-de-obra na construção civil e que não conseguem encontrar. Então, esse número não é o que vemos diariamente".
Informais
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru, Cláudio da Silva Gomes, o que ocorreu entre 2010 e 2011 foi a mudança de perfil dos trabalhadores do setor. De acordo com ele, cresceu o número de informais, por isso os números do Caged apontam para um saldo negativo no acumulado de janeiro a maio deste ano.
"Eu acredito que isso (números) não reflita a realidade. O que ocorre é que, no fim do ano, é o período de maior admissão. Nesses cinco primeiros meses muitas obras acabam, mas os trabalhadores não deixam de trabalhar. Eles acabam recorrendo à informalidade ou ao trabalho autônomo."
Segundo ele, há cerca de 15 mil trabalhadores na construção civil atualmente em Bauru, sendo que cerca de 5 mil são informais. "Existe uma rotatividade grande nesse período, mas eles não param de trabalhar. O que ocorre é que muitos não estão registrados. Em vários desses casos, os trabalhadores acabam sendo formalizados depois de um período", completa o presidente do sindicato, Cláudio Gomes.
Setor de serviços liderou vagas formais em maio
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) no mês de maio convergem com o balanço parcial dos cinco primeiros meses deste ano em Bauru. O setor de serviços foi o que liderou, com saldo positivo de 594 postos de trabalhos gerados. No mesmo mês do ano passado este número também foi positivo, porém, de 394.
Tanto o comércio quanto a construção civil tiveram mais demissões do que contratações em maio deste ano. No primeiro, o saldo negativo foi de 121, e no segundo, 144. Já no ano passado, o mesmo período registrou saldo positivo de 239 novos postos para o comércio e negativo de 275 para a construção civil.
Ainda em maio de 2011, a indústria também registrou balanço negativo. O setor terminou o mês com 68 demissões a mais do que contratações. No ano passado, o mês fechou com saldo positivo de 242 novos empregos gerados no setor.