Por volta das 15h30 da semana passada, cerca de 20 pessoas esperavam do lado de fora do PSF Vila São Paulo, que estava com suas portas fechadas. No local, um cartaz informava que, em todas as quartas-feiras, o serviço no local é suspenso para realização de reuniões. O vereador Natalino da Pousada (PV) também ficou surpreso com a situação.
O problema é que os usuários garantiram que não tinham sido informados sobre a rotineira interrupção. A diarista Cláudia Aguiar, 40 anos, estava indignada. "Eu não sabia disso e até pedi folga no trabalho para vir aqui. Acho um absurdo fechar o posto para reunião durante o expediente de atendimentos", conta a moradora da Vila São Paulo.
A dona de casa Aparecida Rosa da Silva, 34 anos, saiu da Posada da Esperança 2, junto a seus dois filhos pequenos, e também precisou esperar até às 16h para entrar no PSF. "Não fui informada sobre essa reunião pelos agentes de saúde", garante.
O secretário de Saúde, Fernando Monti, explicou que as reuniões semanais de funcionários contam com o aval e a recomendação da pasta. "No sistema de saúde moderno, elas são fundamentais para termos um bom serviço prestado. Essa prática é adotada nos PSFs e deve ser expandida para todas as unidades de saúde do município", aponta
No entanto, o secretário pondera que deve haver problemas na disseminação dessa informação entre a comunidade. "As pessoas precisam estar esperando porque não tem que ficar do lado de fora esperando o PSF abrir a porta", diz Monti.
Outros problemas
O pedreiro Valdecir Carlos dos Santos, 50 anos, aproveitou a presença da reportagem do Jornal da Cidade para relatar alguns dos problemas enfrentados pelos usuários que dependem do PSF Vila São Paulo enquanto aguardava a abertura das portas da unidade para que sua neta de 4 anos, Luiza Maria Bianca de Oliveira, pudesse ser pesada pelos agentes no local.
"Para conseguir atendimento no dentista, minha esposa teve que passar a noite na frente do posto. Chegou aqui às 23 horas para pegar a senha às 6h da manhã. São poucos atendimentos no dia para uma população muito grande", afirma.
Segundo Natalino da Pousada, o PSF Vila São Paulo tem abrangência de atuação a cerca de 14 mil bauruenses, moradores dos bairros próximos. O vereador garantiu, porém, que novos postos de saúde da família devem ser construídos com o objetivo de descentralizar os atendimentos.
Fernando Monti confirmou que as obras para construção do PSF no Nova Bauru já começaram, mas não soube especificar o prazo para a entrega dessa unidade. Além disso, já foram licitadas reformas em dois imóveis que também vão abrigar o PSF. Um deles fica na Pousada da Esperança 2 e o outro, no Parque Jaraguá.