Quem são os usuários do transporte coletivo de Bauru? Quais as rotas mais utilizadas pelos universitários da cidade? Por onde as famílias trafegam? Para elaborar o Plano de Mobilidade para Bauru, será preciso saber quem são os pedestres, motoristas e usuários do transporte coletivo e quais suas principais rotas de deslocamento.
Assim, o Núcleo Gestor do Plano Diretor do Transporte e Mobilidade de Bauru irá realizar três pesquisas em julho, que coletarão os dados necessários para traçar esse perfil. Os questionários serão respondidos pela Internet e os dois primeiros estarão no site da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) na primeira semana de julho.
Anunciado em março passado, o plano de mobilidade tem como objetivo traçar um diagnóstico do deslocamento dos bauruenses, as rotas mais usadas, os obstáculos enfrentados e propor soluções, como investimentos em meios de transporte alternativos, sustentáveis e até novas vias para melhorar o fluxo de condutores, pedestres e ciclistas. Porém, para isso é preciso conhecer, quantificar e tabelar os hábitos de deslocamento dos bauruenses.
Com o objetivo de reunir esses dados, o grupo de sistematização do projeto, supervisionado pelo Núcleo Gestor, irá colocar no site da Emdurb três amplas pesquisas. A primeira tem como objetivo traçar o perfil de estudantes de ensino técnico e superior e como eles chegam aos locais de estudo. A segunda é uma pesquisa de opinião sobre o transporte coletivo e a última é um levantamento sobre os hábitos de mobilidade das famílias bauruenses.
De acordo com Fabiana Aparecida Trevisan de Lima, membro da equipe de sistematização do planejamento, as pesquisas serão para identificar a origem e os destinos dos moradores da cidades e quanto tempo gastam para percorrer as rotas.
"Assim que conseguirmos identificar esses roteiros, iremos fazer o cartograma, que são os mapas dos roteiros mais usados. A partir deles, começamos a trabalhar o planejamento, que é o que precisa melhorar em cada via, outras vias para a região, as alternativas de acesso, identificar horários de pico e se para esses horários é necessário deslocar uma fiscalização, por exemplo", enumera.
Segundo a professora doutora Bárbara Stolte Bezerra, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, para o estudo ser eficiente a população precisa participar. "A pesquisa é fundamental para sabermos onde está a demanda, onde estão as pessoas e para onde elas querem se locomover. Por isso é extremamente importante fazer essa pesquisa de origem e destino", pontua.
Com o resultado das pesquisas em mãos, Bauru terá o subsídio necessário para avançar com o planejamento viário. "Com o plano de mobilidade poderemos traçar as linhas principais de transporte público, pensar que tipo de transporte iremos colocar nas linhas troncais, que tipo de transporte sustentável é possível de se fomentar", avalia.
"Saberemos quantos quilômetros as pessoas estão distantes do trabalho, da escola. Com essas informações tabuladas, poderemos pensar que política de mobilidade vamos ter que implementar em Bauru. Pensar em sistema estruturado viário de bicicletas, por exemplo."
Estudo inovará com uso da Internet para a coleta
Outro diferencial do estudo da Emdurb é que será totalmente online. "Não será nada via papel, é tudo pela Internet. Por isso precisaremos de apoio para a divulgação da pesquisa e incentivar o pessoal a participar", diz Fabiana Lima. Para ela, o ponto positivo do sistema é que os dados respondidos já são tabulados imediatamente.
O objetivo do grupo é atingir um percentual de moradores para cada região de Bauru. "A cidade é dividida em setores censitários pelo IBGE e setores de planejamento pelo Plano Diretor. Os dois serão casados e a origem das respostas será identificada. Defendemos um mínimo de 5% das residências por setor de planejamento", explica Fabiana. Ao todo, são 13 setores urbanos e nove rurais.
Para a professora Bárbara Bezerra, o inovador dessas pesquisas é o fato de serem online. "No Brasil, é a primeira cidade que eu vejo usando a Internet. É uma coisa inovadora, de primeiro mundo", lembra, afirmando que na Europa esse tipo de consulta é comum.
Núcleo Gestor
O Núcleo Gestor do Plano Diretor do Transporte e Mobilidade de Bauru é composto por representantes do poder público, como os secretários de Obras, de Agricultura e Abastecimento, do Planejamento e do Meio Ambiente, entre outros.
Já pela sociedade civil participam entidades como os conselhos municipais de Desenvolvimento Rural, de Habitação, de Pessoa Idosa, órgãos como Sest/Senat, Sindbru, Ciesp, os sindicatos dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) e dos trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sindtran), além de professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Paulista (Unip).
Possíveis rotas alternativas e transporte
sustentável também serão analisados
Entre os estudantes do ensino técnico e superior, a pesquisa quer identificar quem é de Bauru e qual o meio de transporte mais usado: se é a pé, ônibus, transporte escolar, motocicleta, carona, bicicleta. Fabiana Lima explica que o universo estimado para essa pesquisa é de 25 mil estudantes. "A nossa proposta é atingir o mínimo de 20% dessa população", calcula. "Com a análise desses dados, traçaremos o perfil do estudante de Bauru."
A pesquisa de opinião sobre transporte público também quer atingir as pessoas que não são usuárias desse sistema. "Queremos identificar o motivo da pessoa usar ou não o transporte coletivo. Identificar a demanda reprimida, também ver a opinião de quem usa", ressalta. Fabiana observa que não há uma pesquisa que aponte a razão das pessoas não buscarem o transporte coletivo.
"Se acha que é pelo valor, falta de horários, que é por isso ou aquilo. Queremos identificar o perfil do transporte coletivo, até que ponto ele atende o usuário e tentar levantar soluções, sugestões para a melhora", explica.
Ela destaca que um dos objetivos do plano de mobilidade é justamente incentivar o uso do transporte coletivo. "Hoje em Bauru temos o ônibus, mas no futuro poderemos encontrar um outro modal que possa se integrar aos ônibus. Uma outra proposta é se integrar a bicicleta no trânsito, criar bicicletários públicos", adianta. Fabiana ressalta que o prefeito Rodrigo Agostinho é um dos incentivadores desse tipo de transporte. "Vamos verificar onde é mais apropriado, análises técnicas a serem feitas, questão de segurança. Também há a questão do meio ambiente e o auxílio à saúde que a bicicleta representa."
De acordo com a professora Bárbara Bezerra, um dos pontos a serem levantados em meios alternativos são as rotas mais usadas. "Elas precisam ser curtas. Com a pesquisa, poderemos verificar o máximo que a pessoa admite caminhar e usar a bicicleta", afirma. De acordo om a professora, a pé, esse número seria de cerca de dois quilômetros, ou seja, em torno de meia hora de caminhada. De bicicleta, de sete a oito quilômetros.
Brindes
Sobre a pesquisa residencial, Fabiana observa que a intenção do levantamento é descobrir os meios de transporte mais utilizados, os horários e os principais destinos. Quem responder a esse questionário deverá informar os dados sobre os hábitos dos outros moradores da residência. Para incentivar as pessoas a participar da pesquisa, o grupo planeja sortear brindes. A promoção seria restrita à pesquisa residencial.
De acordo com Fabiana, a ideia inicial é que assim que o questionário for concluído, o sistema gere um cupom que dá direito a participar de um sorteio. "Ainda está em estudo o que será dado como premiação. Talvez kits educativos, bicicletas, ainda estamos fazendo um levantamento", conta. Pela proposta do grupo, as pesquisas ficarão à disposição dos moradores até outubro e em seguida, os resultados serão analisados e divulgados.
Fabiana ressalta que não serão perguntados e divulgadas informações pessoais de quem responder as pesquisas. "A pessoa irá apenas colocar o nome da rua e a quadra, para ficar definido origem e destinos mais frequentes", observa.