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Pôr do sol mais bonito, ar impróprio

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O amanhecer e o entardecer no inverno são mais bonitos e, tradicionalmente, ficam bastante avermelhados, tornando ainda mais bela a visão do Sol cedendo espaço para o início do reinado temporário da Lua. O lado ruim dessa história é que, quanto mais avermelhado e romântico for o crepúsculo, é sinal de que o ar está mais poluído. Alguns fatores que colaboram para a poluição nesta época do ano são o tempo seco e as queimadas .

O meteorologista e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), José Carlos Figueiredo, desvenda o mistério dos crepúsculos mais atraentes.

"Um pôr do sol lindo que podemos citar no Brasil é o de Brasília. Porque nesta época (inverno), o ar lá fica muito seco e também tem muita poeira. Essa poeira acaba deixando o sol bem diferente, dourado. E esse crepúsculo mostra o grau de poluição", diz.

Se o pôr do sol estiver mais amarelado ou alaranjado, pode ficar tranquilo. Significa que o ar está mais limpo e que não há tanta poeira dispersa na atmosfera. Se não houver alteração na coloração, melhor ainda. Sinal de que o ar está bem limpo, sem riscos de causar danos à saúde.

Outro fator que facilita a visualização dos crepúsculos solares durante os períodos de inverno são a pouca quantidade de nuvens. Com isso, é possível notar mais claramente a mudança nas tonalidades do céu no início da manhã e final de tarde.


Vulcão chileno

As cinzas do vulcão chileno Puyehue-Cordón Caulle, que entrou em erupção no último dia 5, foram dispersadas em vários quilômetros de extensão e causaram diversos transtornos no Sul do Brasil, como o fechamento de aeroportos e o cancelamento de voos em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

Além disso, muitos carros ficaram cobertos por uma fina camada de poeira trazida pelas nuvens de cinzas expelidas pelo vulcão em cidades do Sul. O que poucos sabem é que essa fuligem demora cerca de seis meses para se dispersar e sumir definitivamente na atmosfera. Isso pode deixar as tardes e manhãs de inverno ainda mais avermelhadas em alguns lugares do mundo.

"Toda vez que existe uma erupção vulcânica de grande proporção, grande parte da atmosfera fica suja pelo menos seis meses. Parte dessa poluição do vulcão chileno que veio para cá já foi embora, mas não desapareceu. Ainda vai afetar outros lugares do mundo", frisou Figueiredo.

Especificamente no Brasil, a poluição causada pelas cinzas do vulcão chileno foi verificada principalmente em cidades do Sul do País, como Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis e Chuí.


Noites longas

De acordo com José Carlos Figueiredo, desde anteontem, com o início do inverno, as noites passaram a ser visualmente mais longas. Isso significa que a escuridão noturna começará mais cedo e terminará mais tarde do que de costume. "O dia terá mais escuridão do que claridade e isso é típico desta época do ano. O sol está mais atuante no hemisfério norte do que no hemisfério sul, então a radiação que chega aqui é menor e faz com que as noites fiquem mais longas do que os dias", explica Figueiredo.

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Queimadas triplicam nesta época


Mês de junho, tempo frio, seco e festas juninas com milhares de fogos de artifício. Essas combinações aliadas ao vento típico da época fazem com que as queimadas tripliquem durante o inverno. Este dado alarmante, além de ser prejudicial à saúde, pode causar danos extremamente graves nas matas, por exemplo.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito, às vezes acontecem 60 focos de queimadas ao mesmo tempo.

"Isso é um absurdo porque o Corpo de Bombeiros nem tem viatura o suficiente para atender todos os casos ao mesmo tempo. A população tem que se conscientizar de que fazer queimadas pode causar sérios problemas de saúde a ela mesma, sem contar os estragos".

O tempo frio, seco e os fortes ventos potencializam uma pequena queimada, que pode tornar-se um incêndio de grandes proporções. "Por exemplo, um local que deveria se incendiar em 15 minutos, pode se incendiar em apenas cinco", revelou.

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