Sei que a tristeza ainda está presente em seu coração. Passe alguns dias com ela, mas depois peça gentilmente que ela saia e dê lugar à saudade. Não entendi muito bem quando um grande amigo me disse, por ocasião da morte de meu querido pai, que logo eu iria me lembrar do meu pai sem tristeza, apenas com saudade. Mas é isso mesmo! Claro que ainda fico triste, pois no meu egoísmo gostaria que ele estivesse presente fisicamente em minha vida, mas é uma tristeza diferente daquela que senti quando ele se foi. Agora, a saudade, essa muito grande!
E é assim que você também vai se sentir com relação à partida de sua mãe, quando mais um tempo se passar. A querida Dona Amélia está num lugar infinitamente melhor do que o mundo que vivemos! E ela cumpriu muitíssimo bem sua missão por aqui. Lembro-me que quando falava com ela, eu dizia: "Dona Amélia, quando eu crescer quero ser como a se-nhora!". E ela ria... Claro, quem não quer envelhecer como ela? Ativa, disposta, de cabeça boa. Fazendo seu crochezinho, suas comidinhas deliciosas, cuidando com carinho de suas coisas e de seus amados descendentes.
Uma senhora que até uma idade avançada fazia caminhada diariamente. Uma senhora que andava de bicicleta até nem sei quantos anos de idade. Uma senhora sempre bem arrumada e disposta. Uma senhora que tinha juventude. Uma juventude que transmitia paz. Uma paz que irradiava beleza. Uma beleza que nos fazia ficar perto dela! É, Dona Amélia, a Cadinha, mais que qualquer um, vai sentir muito a sua falta! Sinal de que a senhora fez diferença por aqui!
Só sentimos falta de quem marcou nossa vida. E a senhora, com certeza, marcou a vida de muita gente ? filhos, netos, bisnetos, sobrinhos, amigos, assim como marcou a minha, como exemplo de "envelhecer de forma saudável". Cadinha, obrigada por sua amizade! Através dela pude conhecer sua mãe e perceber que não importa a idade, todos nós podemos viver com alegria!
Giselda Furquim Genovez