Foram 28 horas de angústia. Esse foi o tempo que levou entre o desaparecimento da adolescente B. B.S., 11 anos, e a notícia de que ela havia sido encontrada, aparentemente, sem nenhum arranhão. Uma história intrigante com final feliz.
A menina saiu de casa, na Vila Nova Nipônica, por volta das 10h20 de anteontem, e encontrada 28 horas mais tarde sentada em um banco de madeira, à beira de um campinho de terra, na Vila Industrial. Ontem à noite, ela iria passar por exames na Maternidade Santa Isabel para saber se havia sofrido alguma violência sexual. Confusa, a menina não conseguia explicar direito à família o que ocorrera.
Ela saiu de casa na quarta-feira de manhã para devolver o carrinho do supermercado que a mãe havia levado para casa com as compras. Uma prática comum da família quando não é possível contar com o carro. O único que dirige na casa é o pai, o eletricista Valmir Antônio Ferreira dos Santos, mas ele estava de repouso por causa de problemas no joelho esquerdo.
A casa fica cerca de três quadras do supermercado. O retorno é rápido, mas a garota estava demorando. Passados 20 minutos desde que ela havia saído de casa, os pais ficaram preocupados e foram atrás dela. Não a encontraram. Começaram, então, a perguntar para as pessoas que estavam próximas ao supermercado se havia ocorrido algum acidente pouco antes. Afinal, a via onde fica o estabelecimento é bastante movimentada. Mas nada de acidente.
A procura
Foram até o supermercado e por meio das câmeras do circuito interno puderam ver que a menina entrou com o carrinho e saiu do estabelecimento às 10h28. A mãe, Andréa Aparecida Barbosa dos Santos, contou que a garota não sai de casa sem o telefone celular, mas naquele momento estava sem ele porque a intenção era voltar rápido. Sem telefone, não tinha como ligar para a filha para saber onde estava.
O casal voltou para casa e avisou a vizinhança sobre o ocorrido. Aos poucos, o restante da família também ficou sabendo. As horas foram passando e na mesma velocidade aumentava a preocupação dos pais. A angústia transformou-se em desespero quando a noite chegou. "Nesse momento, tive a certeza de que algo grave havia acontecido à minha filha", disse o pai.
Segundo ele, a filha não tem o costume de sair de casa e quando sai ela sempre liga para dizer onde está. Além disso, são poucos os lugares para onde ela vai quando sai. Normalmente, na casa dos avós maternos e paternos. E ela não estava em nenhum desses lugares.
Parentes e amigos iniciaram uma busca desesperada. O pai conta que duas pessoas haviam dito que viram uma menina com as mesmas características da adolescente acompanhada por um homem moreno bem mais velho que ela. Ele a segurava pelo braço como se a levasse contra a vontade. E seguiam em direção à antiga Sambra. "Vasculhamos todo o matagal daquela região com o coração apertado. Embora estivéssemos procurando feito loucos, no fundo, a gente torcia para não encontrar nada", comenta Valmir.
A procura varou a noite e quando amanheceu o dia, a família voltou até o matagal, em busca do pior, que, felizmente, não veio. Segundo o pai, o sentimento de velório sem corpo tomou conta dele. "Eu achava que se eu encontrasse minha filha viva ela não iria estar nada bem", relata ele, ressaltando que a filha era indefesa.
O telefonema
No entanto, por volta das 14h de ontem, um telefonema transformou o velório em festa. A polícia havia encontrado a garota em um bairro distante e, para alegria geral, ela estava bem. "Eu chorei muito. Me senti como se estivesse nascido de novo", desabafou com os olhos cheios de lágrimas.
Graças à veiculação da foto dela pela imprensa, o estudante Evandro Wilhelm, 15 anos, a reconheceu. Ele contou à reportagem do Jornal da Cidade que a tinha visto andando pelas ruas da Vila Industrial no fim da tarde de quarta-feira. E quando viu a foto dela na TV, ontem por volta do meio-dia, foi dar uma volta no bairro para ver se a via novamente. Ele a encontrou sentada em um banco de madeira, ao lado do campinho de terra.
Evandro ligou para a polícia e ela foi levada de volta para casa. Moradores que residem próximo ao campinho relataram à reportagem que Bruna deve ter passado a noite por lá. Um senhor, que pediu para não ser identificado, disse que ao sair de casa, às 6h30 de ontem, ele a viu sentada no mesmo banco e lá ela permaneceu a manhã toda. E sobre ela havia uma blusa grande. Estava frio. Mas quando a menina saiu de casa e mesmo quando ela foi vista pelo estudante no dia anterior, ela trajava apenas uma blusinha preta, short jeans, tênis e boina na cabeça.